Amar a si mesmo

Posted by Fabiana Bertotti on 22 de fevereiro de 2012 in devaneios |

Sou do tipo que rumina as coisas. Feito vaca, sabe que come, mastiga, faz que engole e volta com o negócio pra mastigar outra vez? Pois bem, sou assim. Não foi muito bonita esta introdução, eu sei, mas você entendeu, não entendeu? Se sim, valeu o pouco tato com a coisa do ruminar e da vaca, que no caso, em nada me favorece.

São muitas as coisas que mastigo de novo, tentando sentir o gosto, absorver o sentido, aplicar. Uma delas é este verso bíblico: “Amar ao próximo como a si mesmo é mais importante do que todos os sacrifícios e ofertas” (Marcos 12:33). Já o vi escrito em caminhão, em faixas e em bilhetinhos e nunca me caiu redondo, direito, sem contestação. Não pela primeira parte do amar ao próximo, esta eu entendi direitinho, prometo. Tudo bem que não o aplique na integralidade da coisa, mas já o absorvi. Ok, não é uma absorção tipo Madre Teresa, pois desta, infelizmente estou a anos-luz em matéria de caridade.

A coisa toda se complica com o tal do “como a si mesmo”. Bobagem, talvez você ache, mas leve em conta meus sentimentos e pondere os seus. É prudente! A ordem em que a ordem vem – com nenhum trocadilho intencional – é que chama meus pensamentos ao segundo momento. Primeiro tenho que me amar, para só então amar o tal do próximo como faço comigo. São duas ordens em uma, algo como: trate de se dar o devido valor e carinho para que tenha a capacidade de reconhecer este afeto e o transferir aos outros! É que alguns têm uma facilidade de acariciar o próximo, e genuíno contudo não o é, pois não reconhecem o sentimento vindo para si próprios, ao contrário dos narcisos, né?!

Sim, tem a turma do “eu me amo” isolada de qualquer poder de visão, mesmo de curto alcance, com quem está além um pouquinho do umbigo. Tudo errado. Amar-se é reconhecer seus pontos fracos sim, mas não os deixar maiores que os pontos fortes. É saber da celulite e gordurinha e ainda assim se achar linda pelos olhos ou cabelos. Seguir esta ordem de Cristo é se ver como algo especial que precisa ser respeitado e velado, não como um apêndice para canalhas (de todas as categorias) usarem ao vangloriar-se. Já viu como tem gente boa por aí encolhida sob os chinelos de gente ruim? É funcionário que não desabrocha, garotas que não se livram de namorados encostos e amigos que se definham.

Tudo culpa de não prestar atenção a este detalhe da orientação: “amar o próximo como a si mesmo…” Equilíbrio cabe aqui. Na justa medida em que se reconhece como alguém especial que precisa de atenção e complacência, reconhece a necessidade em quem está ao lado. Amar-se é ser mais leve e generoso, consigo e com ele, ela, eles, eu. Amar-se é reconhecer o reflexo de uma nobre criação clareando a escuridão dos defeitos, uma mão generosa moldando um barro deformado. Daí, ao tanto se amar, na justiça e justeza de não se endeusar, transferir este cuidado e carinho para quem se aproximar, mesmo longe estando.

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5 Comments

  • Clemilson da Silva disse:

    Gente essa mulher é poderosa, rsrsrsr. “A Alegria da Blogueira chegou, cometários”!. olha gostei muito do post, tá mais pra “Artigo”, rsrs verdade, mas vou curtir mais ainda já te disse que sou teu Fã, só falta a carteirinha!!!rsr

  • José Lopes disse:

    Engraçado como essa é uma verdade tão evidente e tão passada por alto por alguns. Pessoas que dizem amar tanto outrem e nem sequer cuidam de si mesmos.
    Mais evidentes ainda são os opostos disso, como citados por você, os narcisos. Conheço uma boa leva desses, rsrs

  • Larissa Jansson disse:

    O problema de amar a si mesmo pode ser confundido com pecado, como algo errado. Mas não é assim. Auto-estima equilibrada ajuda também a ver o mundo de forma mais feliz e ao próximo com mais amor. Nada de errado com isso mesmo.

  • santana disse:

    Este tema é recorrente em minhas apresentações porque muitos não possuem o real discernimento de sua importância na vida prática. Auto estima alta jamais assemelha-se a qualquer tipo de arrogância ou narcisismo. Ao contrário, pessoas com senso de valor pessoal e amor próprio, são mais serenas e menos combativas porque já tem o necessário sem precisar roubar amor alheio. Refiro-me ao valor que começa na cruz, ou seja, a maior demonstração de amor vista por todo o universo Dele (Jesus) que entrega a vida por cada um de nós. Seus textos Fabbi são sempre lindos, leves, bem humorados e esclarecedores. Talento único e particular de quem, certamente, por possuir auto-estima alta, rouba atenção e desperta incômodo aos “carentes” de plantão. Sou fã!

  • Dennis Iaccino disse:

    Muito bom!
    ” (…)na justiça e justeza de não se endeusar…”
    Pra mim, os riscos são menores. É o que diz meu espelho todos os dias. [risos...]

    Ainda bem que auto-estima não depende apenas da aparência! Não existe maquiagem que valorize a essência de alguém.

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