A grande arte de calar a boca

A grande arte de calar a boca

Talvez vocês achem que eu fale muito. Alguns podem até ter certeza absoluta e parte deste grupo, inclusive, tem ojeriza à minha pessoa justamente por este detalhe. Não bem um detalhe, admito, mas parte relevante da minha personalidade e para os haters peço uma trégua e certa complacência para humildemente contar: já fui bem pior! Tenho lidado com uma tentativa – e várias quedas no percurso – de falar menos. De calar a boca, mais precisamente.

Isto porque pessoas como eu, talvez você, ou mais alguém que você conhece, tem uma incrível facilidade para falar, falar, voltar a repetir e mesmo que o interlocutor não te queira… falar de novo! É a esposa que grita e repete a mesma coisa, o filho que atormenta o pai, a mãe que ira seu filho de tanto torrar o verbo…. O pior, no meu caso, é que falo com convicção. Quase sempre! E se tem injustiça ou incoerência do outro lado, falo mais ainda, se é que isto seja verbalmente possível.

Mas tenho desenvolvido um hábito há algum tempo: falar sozinha. Não são solilóquios necessariamente, mas discussões mentais com a pessoa para quem eu gostaria de despejar um tantão de impropérios. Já briguei com meu namorado, depois meu marido, já desaforei meu chefe, meu líder, meu pastor, meu amigo, azinimiga, até o cara mal educado do busão. Mas não se ouviu um único grunhido meu. Amém por isto.

É que sou má quando me dano a falar. Já quis ser promotora de justiça, te contei? Sonhei em ser juíza também. Todavia desconfio que o jeito austero invocado na profissão talvez não combine de todo com minha personalidade. Ainda que tenha feito acusações homéricas perante tribunais lotados, aclamada pela retórica, clareza e correção de meus argumentos. Os juris não tinham como se esquivar à minha razão. Tudo em pensamento, nada são.

E você pode me perguntar de que adianta falar sozinha, escrever verdadeiros manifestos se só eu vejo, desfruto, amargo ou exulto. Bem, é pra não ofender ninguém de verdade. Parece fraco, eu sei, mas me acho a mais forte das criaturas ao fazer isto. Sim, considero-me a própria Mulher Maravilha por conseguir controlar minha língua ferina e bem rebelde dentro de minha folgada boca, ainda que com a ajuda de dentes fortes fechados em mordida.

Admito: por muito tempo achei que não se deve “engolir sapos” e despejar tudo o que julgo “verdade” era a forma certa de agir. Tolice minha. A começar por eu não ser a rainha da mesma, da verdade, no caso, a terminar pelas consequências que isto gerava e eu não tinha como remediar. Quanta bobagem falei, quanta gente magoei, quantos erros vociferei por não atentar ao verso 6 de Tiago 3 “A língua é um fogo, um mundo de iniquidade”. Aliás, este capítulo todo leio e releio de tempos em tempos, só pra me lembrar.

Não que a vontade de falar algumas coisas na cara de algumas pessoas não me pegue de assalto seguidas vezes. Se pega! Certas coisas ainda serão ditas, suponho, pra pessoa certa, na hora certa. Ou talvez nunca. É que tento levar mais à rica a recomendação do sábio “há tempo de falar e tempo de calar a boca”! Como falo muito, tento praticar a outra ponta deste mesmo tempo.

18 comments

  • Eu sempre ouvi de todos que falo demais. Os meus solilóquios, conversas comigo mesma são hábito desde a infância. Tudo para não sair despejando os meus pensamentos. Eu escrevo e-mails respostas, comentários quilométricos, ou converso sozinha olhando para a parede. As vezes acabo gesticulando, minha mãe vê e fica me chamando a atenção como se eu fosse louca… Mas tudo isso é porque é melhor despejar assim do que falar de verdade. Não é questão de engolir sapo, e de saber ponderar, e quando a gente escreve, a gente fala pra si mesmo e dá um tempo… aquilo passa. E puff. A gente já desabafou, sem magoar ninguém.

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  • Fabi vc me ajudou muito estava confusa sobre o Halloween no meu condominio vai ter festa tenho duas filhas mais não vou deixar elas pegarem doces bjss

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  • Fabi…… Não acredito! Igualzinho eu.Mas sempre fico pensando se essas discussões mentais não fazem mal pra mim, afinal não falo mas penso coisas que não deveria pensar, coisas que me trazem sentimentos ruins.

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  • Oi Fábi, te conheci no vlog da Fabiola, gostei muito do seu vídeo com ela e corri pro seu canal. Assisti vários vídeos e me identifiquei muito com você, com a sua postura e já virei admiradora do seu ministério. Quero ter a oportunidade de ler seus livros e tenho certeza que serei muito edificada. Amei o blog também e sobre esse assunto específicamente, eu também sou de falar muito, mas Deus tem tratado comigo e tenho até conseguido me calar mais. É uma necessidade que a gente tem de expressar a nossa opinião em tudo e muitas vezes acabamos julgando. O meu muito falar já me colocou em situação complicada também, uma vez fui apoiar uma amiga num grupo de whatsapp da igreja e acabei magoando pessoas, a princípio eu me achei a dona da verdade porque estava apoiando uma causa justa e tal, mas depois percebi que fiz besteira. Falei com minha líder na época e ela me aconselhou a pedir perdão e o fiz, mas toda vez que me lembro disso sinto vergonha. A gente acaba se expondo e gerando tantas consequências que podem ser evitadas com o calar e tenho aprendido o valor disso.

    Outra coisa que quero te dizer é que com os seus vídeos tenho aprendido mais da bíblia também, é notório o quanto você a estuda, e queria uma dica de como estudar, se você fez algum seminário e se me indicaria algum. Também tenho um blog, que não é só eu quem escrevo, e embora eu ame escrever não tenho feito isso com a frequência que deveria, sabe? Já pensei em fazer um vlog também mas talvez ainda não seja o momento certo.

    Bom, escrevi tudo isso porque me identifiquei muito com você e queria poder conversar mais, não sei se vais ter tempo pra me ler ou me responder, mas desde já agradeço.

    Aqui está um dos textos que eu escrevi no blog, se puderes dá uma lida:
    http://blogvenhaoteureino.com/2015/07/06/prisioneiros-de-si-mesmos/#more-181

    Fica na paz!

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  • Isso é bem eu, não consigo calar a boca 1 minuto me sinto atormentada com o silêncio mas muitas vezes falo demais,vou seguir seu exemplo vou tentar domar minha língua.

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  • Oi Fabi, faz algum tempo que acompanho o seu vlog.. Diferente de você, falo pouco, mas… Quando tenho um “teclado” na minha frente… Solto o verbo mesmo.
    Em 2012, ofendi alguém injustamente num grupo do trabalho. Teve uma repercussão muito grande, por se tratar de uma instituição militar..
    Não fui punida, porém as pessoas que não me conheciam antes desse episódio, ficaram com aquela “primeira impressão” super errada a meu respeito…fiquei estigmatizada.
    Desde então, vinha tentando justificar minha atitude, com o fato de que o meu objetivo era defender alguém de criticas injustas.. E “sem querer querendo” atingi outra pessoa…
    Mas, recentemente, depois de ir a um “encontro com Deus” senti a necessidade de pedir perdão a essa pessoa.. A minha dúvida é se o faço pessoalmente ou se volta para aquele mesmo grupo pra que as mesmas pessoas e outras mais testemunhem…
    Sou evangélica e há mais de 10 anos não me congregava.. Havia perdido a minha mãe nesse período. Não justifica, eu sei… Mas creio que tenha contribuído.
    O que eu faço Fabi????
    Darcila S. Costa

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    • Ai, Darcila… é horrível esta sensação de que magoamos os outros, né?! É justo pedir perdão em público (no grupo), afinal a ofensa também o foi. Talvez não conserte, talvez a pessoa não te perdoe, mas fazer a sua parte é meio que tirar o fardo. Mas além de público, fale com ela em particular, abra o coração, para expressar da melhor maneira possível seu arrependimento com a situação. Beijocas, linda!

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  • Nossa super me vi em todas essas situações!!!
    Primeiro, eu sempre quis ser advogada por querer mudar o mundo com a força da minha oratória kkkkk.E como eu falo acima da média e não suporto levar desaforo pra casa(Se perguntar pra mim: estou bonita?Já ouve: quer a verdade ou quer ser agradada?!!kkk),muitas vezes passo horas orando e brigando mentalmente com a pessoa a quem eu gostaria de falar na lata.
    Isso parece insano,mas já me fez perdoar tanta gente.Quando encontro aquele me me deixou furiosa,já briguei tanto com ele nos meus pensamentos que já até o perdoei.
    Não conseguir controlar a língua é algo muito difícil pra mim de me perdoar.Eu quando vi já fiz e choro muito aos pés do Senhor pra que me fortaleça e que em uma próxima vez eu não caia.
    Meu versículo favorito pra me controlar,aquele que eu fico repetindo na minha mente pra não partir pra o ataque quando sou provacada é :”Seja pronto para ouvir,tardio para falar e tardio para se irar”.E que o Senhor nos ajude! Graça e Paz!!

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  • Como me identifico, Senhor! Quando me dei conta que magoava tanto pessoas e que, na maioria das vezes, eu não tinha razão, me humilhei diante de DEus e Ele, por sua infinita misericórdia, tem me ensinado todos os dias.

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  • Fabi, sou igualzinha a você ou até pior, porque não quero só falar, quero dar também uma aula para as pessoas sobre os mais variados assuntos, e como sempre procuro a justiça me sinto injustiçada, quando alguém se “enche” de mim, tipo meu namorado kkkk, falo muito sozinha desde criança, quantas discussões já ganhei, essas que existiram somente na minha cabeça! E eu também queria ser promotora de justiça, mas hoje estou me inclinando ao jornalismo, tenho 17 anos, muito o que aprender, mas graças a bom Deus já me esforço para controlar minha língua..

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  • Ei Fabi, eu tenho o mesmo problema que você, mas claro que não com a mesma eloquência da jornalista, mas com a norma culta da língua portuguesa que toda secretária executiva bilíngue precisa ter! kkkkkkkkkk
    Sim, eu preciso me conter muitas vezes, não para não brigar ou xingar alguém, mas para não ficar dando lições de moral em todas as pessoas que aparecem em minha frente. Como tenho muitas amigas, quero sempre ensiná-las como viver e resolver os problemas, já que a maioria das mulheres são sentimentais e eu sou bem racional. Mas sempre me pego com aquela pergunta simples: “Alguém te perguntou alguma coisa?”
    Hoje posso dizer que estou bem mais moderada, quase não quero ensinar, só se me perguntarem por acharem que minhas idéias são boas, senão procuro me calar. Mas já fui péssima nesse quesito! rs
    Ah, eu também pratico a leitura de Tiago 3! Rsrsrsrs

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  • Você fala muito e eu falo pouco… Vamos ser amigas? Kkkkkk 🙂 adorei seu post! Incrível ver como calar a boca pode ser difícil p algumas pessoas… Mas Deus é bom!

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  • Fabi, amei esse texto…Ainda estou na tentativa, erro e acerto, às vezes consigo, às vezes escapa e vomito meia dúzia de verdades, mas tem sido uma luta diária, tenho solicitado constantemente ao ES ajuda, preciso me calar…. Ah discutir comigo tem sido a melhor ajuda, realmente funciona…

    Amei, vou compartilhar!!!

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  • Sou muito assim também Fabi!! E seu o quanto sofremos por isso…
    Tenho vivido ultimamente com a seguente frase: “É melhor ter paz do que ter razão!”
    Já fiz várias inimizades por sempre falar o que penso sem analisar as consequências antes…
    Só Deus pra nos ajudar mesmo!

    Beijo Tchutchuca linda!!

    Deus te abençoe sempre!!

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  • Depois que me casei entendi mais sobre esse tempo de calar rsrsrs e descobri o quanto é difícil mas possível com a ajuda do Espirito Santo………….Tenho testemunhos incríveis por recolhe-me ao meu discurso interno kkkkk…. so tenho a dizer vale muito a pena…… ainda sou pega de surpresa na falação mas nem se compara rsrsrs

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  • Comigo já aconteceu muito, e as vezes me arrependia de ter falado, mesmo sendo a pura verdade. Hoje pratico um pouco o ” calar a boca”, é difícil, até dou umas derrapadas, mas vou melhorar.
    Deus abençoe, linda como sempre Fabi

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  • Há tempo para tudo, aprendei a me calar também. E falar sozinha. É bem melhor falar sozinha do que ser escultada de qualquer maneira.

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