Acúmulos da vida

Eu já tinha notado isto no ano passado, mas desta vez acabei andando muito mais de carro, nos dias em que passei gravando umas reportagens nos Estados Unidos. Estou falando dos grandes conglomerados de galpões que as pessoas alugam para guardar suas coisas. Estas bugigangas que compramos ou acumulamos no decorrer da vida e deixamos num quartinho, num canto da casa. Lá isto ganha maiores proporções, conforme a sanha por comprar que faz dos estadunidenses os mais consumistas do planeta. Brasileiro? Fica tranquilo que estamos chegando lá – infelizmente, na minha opinião.

Compra-se tudo o que aparece na frente, vítima fácil da indústria da propaganda. Produtos desnecessários que consomem vida. Sim, pois se gastamos tempo, saúde e vida para trabalhar e ganhar o dinheiro, ao dispensá-lo em qualquer coisa sem pensar e ponderar sua valia, jogamos fora nossa vida. Uma equação bem simples, não acham? E ficaria horas discorrendo sobra a armadilha do consumismo, no qual caímos como frágeis bichinhos desavisados.

No entanto enquanto olhava para aquelas “garagens de aluguel” e as grandes caminhonetes chegando com mais moradores dos cubículos, públicos ou particulares, pensava no que acumulamos no passar dos anos. Gente, amores, sonhos. É tanta coisa que de repente, não mais que de repente, nos damos conta de não mais precisar. Assim. Pessoas que entraram desnecessariamente em nossa vida, nos custaram alegria, sanidade e que simplesmente não precisavam ter ocupado tanto espaço. Sim, não temos que conviver com todos a todo custo!

Isto sem falar nos ideais, nos sonhos inúteis e que olhando agora, pelo ângulo do tempo, vemos se tratar apenas de caprichos, de equívocos, de insanidade. Ideias egoístas, ofensas que carregamos no colo no intuito de devolver algum dia e nos sobrecarregam a estrutura óssea do emocional. Sabe aquela limpeza que fazemos periodicamente nas gavetas e armários, quando nos damos conta de que temos muito mais do que precisamos? Precisamos fazer isto também com a vida, com pessoas e emoções. Esvaziar, passar adiante e não guardar em grandes depósitos que alugamos, pois a cada aluguel que se paga, lembraremos de tralhas que estão ali, esperando resgate. Não!

E enquanto a paisagem passava rapidamente pela janela do carro, fui jogando algumas coisinhas fora, limpando minha mente, esvaziando meu coração…

2 comments

  • Eu não tenho um depósito . Não tenho o costume de acumular.
    Gosto de viver em ambientes mais leves e sem tranqueiras.
    Uma psicóloga me disse que acumular está relacionado com falta de pessoas.O acumulador substitui as pessoas pelas coisas.

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  • De vez em quando é bom a gente fazer uma faxina.. seja na casa(jogar aquilo q não se usa há mais de 1ano), fazer uma faxina mental e do coração, tirar da cabeça e do peito aquilo q está acumulado, deixando-nos pesados, cheios sem espaço para aquilo q realmente importa guardar.

    Tem gente q acumula coisas em casa, eu acabei por exercitar em minha casa o desapego.. se compro algo novo, o velho(se ainda tiver em condições de uso) ou usado vai pra alguem ou então vai pro lixo msm.

    Prefiro não guardar mágoas, rancor ou até odio por ngm, as vezes é inevitável naquele momento, mas guardar, ficar acariciando o q não presta, isso evito ao maximo, tem pessoas q já nem me reconhecem, pq resolvi mudar meu jeito de ser faz tempo…

    Pegue uma flanela, um rodo, uma vassoura, saco de lixo… limpe sua casa.

    Pegue a Bíblia, um livro de EGW, a lição, faça uma oração… limpe sua mente e seu coração.

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