Ai, se isto pega

Ai, se isto pega

Depois de ver e ler a matéria de capa da revista Época, dando ainda mais visibilidade ao hit “Ai, se eu te pego” do sortudo Michel Teló – como se ele precisasse mesmo! – pensei sobre a frase de chamada: “… traduz os valores da cultura popular brasileira.”…

De pronto me indignei com o editor a revista me perguntando se ele sabia o que era traduzir e também cultura popular brasileira. Pus-me a evocar os chamados “gênios” musicais, culturais e reforcei todo o meu preconceito contra esta massificação sexual dos versos atuais quando… plim, plim, caiu a ficha! Errada estou eu, afinal!

Errada pelos rótulos de sempre que qualificam cultura brasileira por Tom, Vinícius, Gil, Chico e Caetano. Odeio tanto quando nos reconhecem só pelo Carnaval e os sambas-enredo que ninguém mais escuta no resto do ano que joguei no mesmo caldeirão estes hits que hoje nascem, crescem e amanhã morrem. Todavia, cultura vai muito além dos aclamados pela crítica, já que metade do País também nunca escuta Chico Buarque, convenhamos!

Cultura, segundo o dicionário é – entre outras coisas – “o conjunto de manifestações artísticas, sociais, linguísticas e comportamentais de um povo ou civilização.” E isto é visto na religião, produção econômica, música, teatro ou literatura. Sendo assim, eu gostando ou não (este caso N-Ã-O, só pra ficar bem claro!) o frenesi em torno do hit é uma representação cultural legítima e válida. Se é edificante, filosoficamente relevante… bom, aí é outra discussão. E a julgar pelo sucesso da música grudenta e o desconhecimento da massa quando o assunto são os clássicos de MPB, por exemplo, o tal Teló está mais pra cultura brasileira do que Bossa Nova. Ai se eu te pego!

4 comments

  • Olá Fabiana! Gostei muito dos textos que escrevestes. Vi o Programa “Sem Tabus” da Canção Nova e me tornei uma fã sua. Sobre o que falastes no programa, concordo com tudo. Um grande beijo!!

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  • Infelizmente você tem razão Fabiana, ainda que que creia numa outra postura, porém não podemos esquecer que isso não nasce do povo e para o povo como se diria da cultura legítima. Estas músicas grudentas e as outras imitações da cultura (lá sim nasceu do povo) norte americana (rap, funk, hip hop e outros gêneros) massificadas pela mídia em nada são próximas da nossa essência cultural.
    Aí surge uma outra pressão social, sobre os jovens em especial, (minha atual e mais ativa bandeira de luta) a ditadura do “politicamente correto” que torna obrigatório aceitar e defender o que a maioria, incitada pela mídia, crê ser o correto, sendo ou não condizente com os valores das pessoas.
    Por isso Fabiana, me permito discordar de sua avaliação final de que esse lixo vindo de cima para baixo com interesses puramente comerciais venha ser valorado e aceito como “cultura popular” aqui neste país tupiniquim.
    Creio que este fenômeno de massificar gostos e expressões “culturais” extrapola a seara de nós jornalistas devendo ser tratada por antropólogos e sociólogos que deverão certamente reposicionar de forma técnica este tipo de “aculturação” forçada pela massiva divulgação midiática de uma determinada forma de expressão sonora ou quiçá de outras formas.
    Com certeza seu texto é sucinto e diz muito sobre este comportamento padronizado e manipulado por poucos e que estão criando uma nova e perigosa forma de convivência entre os seres humanos.
    Expresso minha modesta opinião sem querer ser dono da verdade aguardando manifestações contrárias e que venham a enriquecer a tua oportuna abordagem. sobre o tema.
    Abraços e parabéns pelo post.

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