Atenção, senhores passageiros…

Era domingo e eu estava emburrada por ter que viajar a trabalho. Era um dia lindo em Porto Alegre quando eu deixava a capital gaúcha em direção à São Paulo, que também tinha o céu aberto e a delícia dos 22 graus. Passageiros apáticos como eu retornavam seus encostos, ajustavam o cinto de segurança, abriam as persianas e desligavam os aparelhos eletrônicos. Estávamos em procedimento de descida quando o inesperado me chamou a atenção e começou no tom de voz, sorridente, do piloto que anunciou:

– Olá, queridos passageiros. O dia está lindo e o tempo bom de São Paulo convida para apreciarmos o céu. Hoje é domingo, sorria, ligue para alguém, marque de almoçar num dos deliciosos restaurantes da capital paulista e, se quiser, posso até dar algumas dicas. Que você tenha um dia feliz, ainda que de coração partido, que sua vida hoje possa ser diferente, se estiver recomeçando ou em busca de um novo amor. Quem sabe é aqui que vai encontrar. Pois sempre estamos em busca de um amor, seja desconhecido ou aquele que deixamos escapar. Então, aproveite bem o seu dia, seja bem-vindo à São Paulo.

Em volta as pessoas se olhavam encabuladas, outras rubras e ainda aqueles assombrados com o ineditismo dos “conselhos” vindo da cabine de comando. Achei lindo!! Meu dia ficou mais feliz, mais sorridente, coloquei música para ouvir, abri os dentes para quem passasse por mim e decidi ser feliz naquele dia, pois era uma dádiva estar recebendo mais algumas horas de vida, saúde e tanto a comemorar. Fiquei pensando que é preciso tão pouco para nos alegrar, não é?! Aquele piloto foi meu “Amelie Poulain” e creio que posso fazer o mesmo por qualquer um que passe ao meu lado. Posso pelo menos tentar transparecer alegria e irradiar um pouquinho de esperança ao invés de só cumprir o protocolo ou despejar rabugice. Você também pode, não pode?

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