Cansei dos extremos!

Num dia faço juras de amor, no outro odeio de todo o coração. Como até me empanturrar e assim que acabo, prometo viver como um faquir. Na empolgação chego à exaustão com um viver atlético e noutra fase me entrego aos deleites dignos dos conterrâneos de Caymmi. Cansei deste desequilíbrio próprio de mortais, deste mar onde ondas vem e te levantam e outras te derrubam para o assombro da morte certa.

A questão é onde achar este equilíbrio se o mundo e a rotina me empurram para a insanidade. Sim, pensando menos você reage automaticamente, no impulso das emoções desenfreadas e a roda sempre rodará do mesmo jeito. Cansei! Mas e aí? Terei cansado de mim mesma? Pois se tudo isto que sou, aborrece-me, quem me amará mais do que eu?

Aí, depois de um impulso de repulsa, volto ao extremo da auto-compaixão resignando-me a dar a mim o amor puro e complacente que só eu posso me entregar. Dou-me conta de que o extremo é o que sou e que isto é a beleza da minha constituição. Depois da pena, morro de amores por mim…

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