Cliente preferencial

Não sou do tipo que gosta de se arrumar. Quem me conhece no íntimo sabe que a  imagem da TV e das fotos de divulgação não condizem com a realidade nada glamorosa de cabelo desgrenhado, roupas puídas (mas confortáveis!!) e sapatos sem qualquer vaidade. Só mulher – e travestis, claro – sabem da dor de um salto alto. Não é eu seja falsa, o que pode estar passando na sua cabecinha esse momento por só ter me visto “engomadinha”. Nem tão pouco vítima. Devo admitir, no entanto, que ando cedendo à certos caprichos. Espalhados em algumas bolsas estão batons e – pasme! – até rímel. Confessemos: rímel até é bonito nos cílios, mas chatíssimo de tirar.

Andei comprando mais vestidos, acessórios e até frescurinhas para enfeitar o cabelo. Toda esta introdução menininha pode ter entediado você, caro leitor, mas não abandone estas linhas ainda, pois quero te falar de algo mais nobre que minhas futilidades estéticas. Quero te falar de amor.  Não qualquer sentimentozinho frágil ou volúvel, nem tão pouco safadezas encobertas por este nobre título. Não!  Discorrer apenas queria sobre as sutilezas de amar e encontrar no ser amado todas as razões para se jogar sem reservas no que
poderia se denominar “efeito colateral” do amor. São justamente estes peculiares ajustes em nossa conduta tradicional para adocicar o coração de quem se ama.

Tornar-me mais “menininha” é um destes up dates na minha personalidade, pois meu marido adora esta faceta. Ele me gosta cheirosa, arrumada, de saltos altos e cabelos enfeitados. As vezes
tenho preguiça, mas ainda assim o faço, só pra vê-lo feliz e satisfeito. E, as vezes, gosto de ser apenas o bibelô que ele exibe. Espantado? Indignada? Pensa que rompi com meus direitos e os subjuguei à vontade machista? Ah, larga de bobagem!

Ficar mais parecido com quem se ama é perfeitamente natural e abrir mão de algumas das nossas “coisas” para deixar o outro feliz faz parte do aperfeiçoamento da relação. Não consigo crer em casais em que um dos
cônjuges sofre da “síndrome de Grabriela” argumentando que nasceu assim, cresceu assim e vai morrer assim. Acorda, bem! Abrir mão de você mesmo também é ganhar. Ganhar a chance de jogar fora alguns vícios arraigados e cultivar um desprendimento em relação àquela pessoa que divide a vida contigo. Oras, se
faço tanto para agradar meus superiores no trabalho, colegas de escola, amigos ou clientes, quanto mais não deveria me esforçar para fazer feliz e satisfeito meu companheiro. Quer cabelo arrumadinho, roupa bonitinha? Ok, por que não? Não me custa ficar mais feminina e ganho muito com isto. Tá, é chato tirar maquiagem e andar de salto alto, mas o sorriso de contentamento do homem que amo vale cada desconforto com o bico fino.

1 comment

  • amei, aliás sou sua fã já tem algum tempo continue servindo a DEUS sempre fazendo as pessoas sorrirem se emocionarem você me deixa alto astral, felicidades.

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