Confissão…

Sofro com críticas. É verdade, eu choro, até. Sempre digo que não, que gosto de ouvir, que é bom pra crescer e estes clichês que nos fazem parecer mais seguros para os outros. Mas descobri ser uma falácia. Eu não gosto de receber críticas, me sinto atacada no âmago do meu ser e ponho-me como a criatura mais ignóbil do planeta. Estava pensando nisto ao ponderar meu medo enorme em publicar meus livros, mesmo sendo estes meu grande sonho.
Talvez eu mude de ideia daqui uns anos e diga outra coisa, mas agora acho que tenho medo de publicar por não saber me defender das críticas, sutis ou grosseiras que virão. Até acho as ideias boas, o assunto bem colocado, importante, mas me apavoro como que me imaginando numa sala lotada de gente má e eu ali, despida de qualquer invólucro ou proteção. Aff, como é ruim falar assim de si mesmo, mas é minha maneira de expurgo.
Sei que não é lisonjeiro contar dos próprios defeitos e podemos perder alguns “admiradores”, mas se estes só existem por conta da capa de infalível, então não os mereço mesmo, pois se me desse ao trabalho de costurar em linha reta os retalhos de defeito que tenho, conheceria todo o planeta, circundando-o com meus trapinhos. Não é? É sim! E a crítica é pavorosa por isto. Não existe a tal da construtiva. Isto foi uma bobagem que inventaram para não parecerem cruéis e sim amáveis conselheiros enquanto trucidavam nossos melhores intentos.
Por si só, a crítica é corrosiva, ácida, destrutiva. Ela foi criada pra isto. É como o alfinete que “sutilmente” acaba com o vôo inflado do balão ou o espelho que reverte uma imagem diferente da que paira no nosso obstinado cérebro otimista. O bom é que existem pessoas que sabem se proteger dos ataques, com uma capa poderosa que é reiterada depois de agredida. Outros tem anjos restauradores ao seu lado, seja como pais, amigos ou marido. Meu caso, aliás.
Não dá pra fugir dela, pois independe da nossa vontade. Talvez fazer-se de surdo em alguns momentos. Eu, às vezes, sorrio pensando num refrescante suco de melancia com limão enquanto tenho alguém à minha frente dando “conselhos” de como melhorar. A pessoa não quer me ver melhor, quer ver meu tropeço, fracasso, bancarrota e isto se percebe logo na falsa empatia de abordagem. Então, antes do meu serzinho se fragmentar em lágrimas na frente do crítico, mudo meu cérebro de frequência e ao terminar a acidez estou feliz com o sabor imaginário e refrescante da melancia em meus lábios. Agradeço sorridente e deixo a criatura feliz por ter despejado seu veneno que uma ou outra hora acabará por matá-la. É meu jeito de sobreviver.
Mas uma hora me cubro de coragem e me abraço aos meus anjos para segurar com orgulho meus livrinhos por aí, juntinhos ao peito.

2 comments

  • Fabi eu te amo, você me faz um bem danado, me faz companhia, me anima, me ensina, me educa, é minha amiga e isso que importa. esquece as críticas pois o que você faz é um bem irreparável. Não ha dúvidas da sua coragem e habilidade, e de como és usada por Deus. Bjos

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