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— leitura

Adoro ler. Outro dia minha irmã falou que eu era viciada e que todos os vícios são ruins, sem exceção. Engoli seco, pois sabia que ela tinha razão e de alguma forma, se virava compulsão o mais saudável dos hábitos podia ser mormente nocivo. Sendo assim, estou tentando equilibrar um pouco para não repetir ações como deixar todos batendo-papo na sala enquanto me refestelo no escritório lendo alguma obra. De qualquer forma, quero dividir algumas leituras com vocês. Livros que, de alguma forma, me ajudaram a formar quem sou e o que penso.

O Blackberry de Hamlet

Em tempo de “conecte-se” e a imposição de absorver o máximo de informação possível sob a pena de perder o bonde da atualidade, o livro de William Powers parece mesmo um contrassenso. Mas não é. Ex-The Washington Post, o escritor discorre sobre como a tecnologia tem mudado nosso comportamento, rendimento e relações. Mostra que a era que vivemos é paralela com muitas outras na História como o estabelecimento da escrita ou a invenção da prensa, de Gutemberg, mas alerta: é preciso usar a tecnologia, não ser escravo dela. Esta mania de checar e-mails a cada segundo, depender quase quimicamente do wifi e ter conexão como extensão da mão precisa ser analisada, ponderada e entendida. Uma leitura muito agradável.

 

 

O Livro Amargo

Pense num livro bom! É este. Confesso que comecei a ler por pura simpatia ao escritor, mas ele logo me saiu da cabeça ao me comover com as histórias e dramas de Jerryl e Allice. Fala do passado sim, mas fala do presente sentimento de esperança que todos temos: esperança de amor, felicidade, fé plena de um momento grandioso que está prestes a acontecer. Se passa no século 19, e deste tempo traz o romantismo, os duelos e uma grande expectativa. Tem romance, tem conflito, tem mistério. Eu fui do riso às lágrimas e recomendo a todos. Não é só informação, não é só diversão, não é só leitura. Antes de tudo, é um grande espelho da esperança humana. O único defeito, na minha opinião, é não ter o dobro do tamanho. Acabei querendo mais. E uma dica: leia de uma vez só.

 

 

 

Portal dos Deuses

Achei interessante a capa e peguei meio sem grandes expectativas para uma das muitas viagens. É um tempo bom pra ler este que “perdemos” no avião. Logo no início me surpreendi com a narrativa fácil, nem por isto pobre, do autor, Thurman Petty Jr. É baseado na Bíblia, mas conta com a fértil imaginação e uma dose de bom humor e riqueza de detalhes. Mais do que a história de fidelidade de Daniel e seus amigos, ele humaniza a figura de Nabucodonosor e nos dá a dimensão do amor de Deus e Sua meticulosidade para salvar um filho. Daqueles livros de só fechar quando acaba, sem interrupções. Delicioso, empolgante e uma ótima dica de leitura para todas as idades.

 

 

3096 Dias

Eu comprei o livro depois de ler o capítulo sobre as duas faces do sequestrador. Fiquei impressionada, não só com os detalhes friamente destrinchados, como se tratasse de outra pessoa e não da própria autora, mas marcou profundamente a noção de perdão de Natascha Kampusch. Como cristãos, temos um discurso notável sobre o assunto, contudo, perceber na narrativa o que ela pratica de perdão e como entende a questão, isto me deu calafrios. A leitura não é o que poderíamos chamar de “agradável” em se tratando do conteúdo, todavia a forma sem dúvida o é. Talvez fruto de tantos livros que tenha lido no cativeiro a garota austríaca se revela hábil com as palavras a ponto de fisgar o mais desinteressados dos leitores. Li de uma sentada, como se diz, num domingo que me dei de folga e aprendi que os maiores flagelos que se pode impor a uma pessoa ainda é tentando dominar sua mente. Além do amargor do cativeiro, a jovem deixa sobressair a grande culpa que deposita em seus pais pela criação negligente que teve e o desprezo que experimentou na infância. Quem é que disse que criança não percebe o mundo astutamente? Deixa-a crescer um pouco e adquirir vocabulário que o estrago poderá ser sentido até com uma ponta de maldade.  Vale a pena a leitura.

 

 

Você pode ser feliz sem ser perfeita

Já tinham me falado sobre o meu perfeccionismo, mas eu não gostava da ideia: de ser e de outros saberem disto. De qualquer forma, numa ida despretensiosa à livraria achei este livro e comecei a folhear. Acho que fiquei com ele umas duas horas, lendo as pesquisas, fazendo os testes e então o levei pra casa para começar uma leitura sincera sobre os hábitos que nos impedem de alcançar os objetivos propostos na vida. Esta mania de “tudo ou nada” que talvez aflija você, sabe?  As duas Alices que escrevem o livro (uma escritora e a outra psiquiatra e professora de Ginecologia) dão uma luz com opções práticas para substituir padrões nocivos de comportamento. Manias de pais perfeitos, de mulheres querendo o impossível na carreira, na família e no corpo. O medo de desagradar os outros, de agradar a si mesma, da censura alheia. Muitas vezes continuamos tradições e nem nos damos conta de que somos infelizes com elas. Mas e a coragem pra mudar?  A leitura é leve e o conteúdo muito útil. Eu recomendo!

 

O Mistério do Coelho Pensante e outros contos.

Não tem lição de moral alguma. Não é este o propósito destes contos infantis de Clarice Lispector. Entretenimento e aproximação entre pais e filhos é que conta. Sim, pois estas histórias merecem ser contadas aos pés da cama da criança, enquanto se faz sons, caras e caretas a cada lance. Se tem alguém que eu queria ser quando crescer, esta é Clarice e a leitura deste clássico infantil vai te fazer entender. A leveza nas palavras que parecem sair sem esforço algum, a imaginação fértil, mas comum. Tudo colabora para um entretenimento gostoso, um momento de prazer que os filhos não desfrutam mais com seus genitores. Vale a leitura inclusive se você é adulto e não tem filhos, como eu, pois é de suspirar.

 

 

Como a Starbucks Salvou a Minha Vida

Esta história vale ser lida. O Michael Gill, personagem e escritor, conta como passou de um executivo de sucesso, numa das maiores agências de publicidade do mundo, para um funcionário que serve café e limpa o chão. Acostumado a altos privilégios que todo rico tem, ele chega aos 63 anos para perder tudo: dinheiro, casamento, emprego e saúde.  Cristal, uma jovem mulher negra o convida pra trabalhar na Starbucks do Harlen, um bairro pobre de NY. Aí ele descobre que a vida começa agora, com menos e com mais ao mesmo tempo. Rever conceitos, desprezar preconceitos, abandonar a arrogância e descobrir que a vida vale a pena foram algumas das etapas desta trajetória que é uma lição. Recomendo! A leitura é agradável, a história é boa e se você abrir bem os olhos enxergará um mundo de felicidade nas pequenas coisas do cotidiano.

 

1984

Confesso que li este livro porque me sentia uma estúpida sem conhecer a fundo a obra que tanto era comentada por colegas jornalistas. Fiquei um tempo pesquisando preços até encontrar o melhor custo-benefício e demorei a engatar a leitura. É que esperava mais. Desculpe a todos que amaram e reverenciam a obra de George Orwell que não deixa de ter sua importância histórica, é verdade. Talvez o protagonista seja antipático demais e a tentativa feminina muito rasa. São muitos “talvez” para explicar o porquê de eu não ter “adorado” o livro tão famoso, embora ainda considere uma leitura importante para reconhecer perigos dos sistemas de governos atuais, da força da mídia como poder paralelo e do próprio homem quando sonha com este poder. É, ainda assim eu recomendo  o livro. Ah, ele foi a inspiração para o Big Brother, se isto ajuda…risos