Dislike

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Você se sente confortável discordando? Eu não. Estou quase a me achar um ET por conta disto. Acho que é o mal da geração “curtir” do Facebook e todas as outras redes sociais. Outro dia, conversando com uma pessoa recebi a cobrança: “Você não curtiu minha última foto no Instagram!”. Ao que respondi: “não mesmo, não achei legal. Tinha que curtir mesmo assim?”. Ela se ofendeu.

Numa outra ocasião um colega me disse que curtia tudo o que seus “amigos” postavam, pois era uma política da boa vizinhança. Eu me equivoquei neste ambiente virtual, então. Achei que deveria curtir o que realmente eu tivesse curtido, oras. Não vou dizer que gostei do que de fato não gostei. Parece tão óbvio para mim. Mas não é. E fora da rede, o esquema é meio assim também.

A amiga que não quer uma resposta sincera quanto ao vestido horroroso, a esposa que quer elogio, mesmo com o feijão queimado, a mãe que exige o sorriso, ainda que a alma chore. É uma coisa esquisita esta de ter que concordar, para não se apartar, como se a nossa opinião sincera não contasse, como num caldo insosso onde o tempero comete o pecado de chamar a atenção.

Não sei como isto começou, se foi de agora ou de muito antigamente, se foi intencional, provocada ou destas “evoluções” humanas. Contudo, cá comigo tenho mesmo a convicção de que não preciso me adequar, não de fato. Do mesmo jeito que preciso me confortar pelos que de mim não gostam, eles que se adequem por deles eu não gostar, ué. Como diz um ditado: Onde dois concordam sempre, um está sobrando.

Ah, sinta-se livre para “dislike”.

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