Espartilhos e cintas: um perigo bem apertado

Espartilhos e cintas: um perigo bem apertado

A busca pela beleza e corpo perfeito tem sido uma realidade torturante na vida das mulheres há muito, mas muuuito tempo. Isso sem mencionar tempo e dinheiro preciosos já gastos nessa indústria milionária da beleza. Contudo, nada deixa uma mulher mais triste do que aqueles quilinhos a mais. Aquela gordurinha localizada que parece berrar quando você quer usar um vestido lindo no casamento de sua melhor amiga. Ai, como sofremos! Mas, para isso existem duas poderosas armas medievais que prometem deixar você com uma cinturinha de pilão em dois minutos: o espartilho e a cinta modeladora.

Todavia, apesar do benefício estético, essas vestimentas tão amadas por grande parte das mulheres são muito mais um perigo contra o seu corpo do que aliados. O pneumologista Jonatas Reichert alerta que o uso dessas lingeries podem causar “uma restrição torácica e da expansibilidade pulmonar quando usado com menor frequência com objetivo modelador. Causam uma deformidade permanente na cintura e uma acomodação funcional dos órgãos”. Ou seja, não é preciso usar durante muito tempo para o seu corpo sofrer os abusos. E, as consequências são ainda piores quando usados a longo prazo.

Espartilho: tortura medieval

blog_espartilho6O espartilho foi uma “evolução” das faixas que as mulheres e os homens – sim, os homens! – usavam no século 14 para dar forma à parte central do corpo. Com o passar do tempo, elas foram aprimoradas e substituídas por coletes muito mais pesados e apertados que eram usados por cima das camisas e vestidos e amarrados nas costas. Muitas mulheres desmaiavam e algumas até morriam, tamanha era a dificuldade de respirar.

Durante o Renascimento, onde o belo era extremamente valorizado como obra de arte, os espartilhos passaram a ser usados para sustentar e valorizar os seios. Nessa época, o negócio ficou mais apertado – literalmente. Já com o nome de corpete, a função era dar ao busto o formato de um cone. Para isso, ele tinha uma lâmina feita de madeira, marfim, prata ou osso que eram costurados dentro do tecido. Em 1908, surgiu um espartilho longo que ia até os joelhos e impedia a mulher de se sentar.

Historicamente a morte desse tipo de espartilho torturante ocorreu durante a Primeira Guerra Mundial quando as mulheres tiveram que ir ao campo prover alimentos à sua família, já que os homens estavam na batalha. Foi nessa época que o sutiã conquistou as mulheres, pois o espartilho também tinha a função de levantar os seios.

blog_espartilhoIone

Ione usou a cinta abandonada pela irmã, mas não viu resultado

Mas não precisamos voltar ao passado pra ouvir sobre as torturas causadas pela vestimenta. A atendente de telemarketing, Ione Martins, se rendeu ao conto do poder milagroso do espartilho e durante quatro meses usou a peça na esperança de afinar a cintura. “Minha irmã foi em um loja e a dona estava usando e, ela fez tanta propaganda que minha irmã comprou. Ela usou algumas vezes e abandonou, mas eu comecei a usar duas horas por dia pra modelar o corpo. O desconforto vinha depois de algum tempo: falta de ar e dependendo da posição, dor nas costas. O pior é que nunca vi resultado”, relembra Ione que hoje, grávida de nove meses, diz que fará uso de cinta cirúrgica após o nascimento do bebê.

Mas, as experiências traumáticas não param por aí. A psicóloga Thais Arantes, também já caiu na tentação da cinturinha fina. “Eu usei o espartilho porque comprei um vestido ‘sereia’ e queria ficar com cinturinha de pilão para ir a um casamento. A experiência foi péssima. Desde a hora em que vesti senti que não estava confortável, mas achei que o desconforto seria suportável. Só que com o passar das horas o incômodo aumentou muito. Sentia dores nas costelas e na coluna, principalmente. Usei por umas cinco horas e não via a hora de tirar. Evitava até comer e beber na festa pra não aumentar o desconforto. Jamais usuária de novo”, relata ela que usa cinta modeladora algumas vezes, mas comprou uma maleável que não aperta tanto.

Cintas modeladoras?

O mal que peças apertadas causam à saúde pode ser irreversível em alguns casos. Cintas muito justas, por exemplo, além de machucar a pele impede o fluxo normal do sangue, o que pode gerar problemas de circulação e varizes. Ou seja, na esperança de resolver um incômodo estético você pode ganhar vários vasinhos nas pernas. Uma troca nada inteligente!

Muitas mulheres pensam que é justamente pelo fato de ser apertada que a cinta funciona, porém a ginecologista e obstetra Danielle Sousa Santoro ressalta que não existem benefícios comprovados pela ciência no uso de cintas. “A musculatura abdominal não ficará mais firme com o uso da cinta, nem o tamanho do abdômen diminuirá mais rapidamente”, alerta a médica. Segundo ela, uso de cinta cirúrgica em pacientes pós-cesariana é mais uma questão de segurança em decorrência dos pontos cirúrgicos, pois muitas pacientes têm medo de se movimentar e com a cinta elas sentem que estão mais firmes. E, acrescenta que usando a cinta, o abdômen fica comprimido diminuindo a aparência de ainda estar grávida. Contudo, a doutora Danielle não indica a nenhuma de suas pacientes o uso da cinta. A própria medica, mãe de gêmeas, não usou a cinta pós-parto porque a sensação de algo apertando seu abdômen era muito desconfortável. “Se uma paciente pergunta se pode utilizar eu explico que se ela vai se sentir mais confortável com a cinta, tudo bem, mas não haverá dano algum caso não usar”.

blog_espartilho4A fisioterapeuta Kenia Bertazo, alerta que “o uso constante de cintas deixa os músculos preguiçosos, já que não estão sendo exercitados. Além de enfraquecerem a musculatura lombar”. Com relação às cintas com fins cirúrgicos ou reparadores, ela ressalta que a indicação dessas pecas nunca deve vir só. Em primeiro lugar, deve ser trabalhado o controle motor, a correção do movimento e o fortalecimento muscular”, ensina.

E se o caso é a barriga indesejável ou uns quilinhos a mais, a ginecologista Danielle aconselha olhar para a saúde e se movimentar. “É possível e indicado que busquemos alternativas para nos sentirmos bem em frente do espelho. Isto não significa, no entanto, que teremos um corpo perfeito. De que adianta estar ‘perfeita’ com graves sequelas de um procedimento mal sucedido? O corpo perfeito está na nossa cabeça”, adverte a especialista.

É tão contraditório quando olhamos para toda as revoluções e lutas travadas e sofridas por mulheres para alcançar a liberdade, quando ainda são escravas da beleza. Escravas de uma ditadura que as reprime independente da classe ou nível cultural. Algumas, usam essas vestimentas com o pretexto de ser um símbolo da sexualidade. Mas, nada mais sensual pra um homem do que uma mulher que se valoriza, que se ama e se faz amar com os seus defeitos, gordurinhas, barriguinha e todas essas coisas que torna a mulher um ser humano normal e não uma foto de capa de revista photoshopada. A psicóloga Thais Arantes, que jurou nunca mais usar um espartilho na vida, diz que “ com a maturidade a gente vai ficando mais segura e aprende a aceitar melhor nosso corpo e dar menos importância para essa imperfeiçõezinhas. Hoje, prezo muito mais pelo meu conforto do que pela imagem que vou passar para os outros”.

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anúncio de corsets no início do século XXI

O bom senso adverte, usar roupas e apetrechos muito apertados pode causar:

Deformação do tórax: Os dois últimos pares de costelas do nosso tórax são chamados de flutuantes. Isso porque elas se fixam em outras costelas, não são tão firmes quanto as outras, fixadas no osso chamado esterno. Ao optar por usar um corselet, as mulheres estão deformando a caixa torácica, empurrando esses ossinhos para dentro.

Prejuízos a respiração: as mulheres têm uma respiração predominantemente abdominal e o espartilho apertado faz com que a expansão da região do abdômen seja dificultada. A expansibilidade e a capacidade pulmonar ficam reduzidas, podendo gerar atelectasia, que é a dificuldade de uma área do pulmão conseguir se expandir.

Varizes: O uso de corselets, através do tight lacing, pressiona os vasos do abdômen, prejudicando o retorno do sangue para o coração. Com isso, o sangue fica parado nas pernas, o que pode causar inchaço e varizes.

Atrofiamento dos músculos: Ficar muito tempo com o corselet causa fraqueza da musculatura paravertebral e lombar. Isso faz com que a parede abdominal fraca deixe de ser suficiente para manter a postura e a estabilidade do tronco.

Afeta a digestão: Quem usar o tight lacing durante as refeições vai comprimir o estômago, reduzindo o seu volume. Isso faz com que a alimentação adequada seja dificultada. Além disso, o acessório também atua impedindo a expansão abdominal após a alimentação e diminuindo o peristaltismo (os movimentos) do sistema digestivo.

Afeta a postura: Corselets com tight lacing não são indicados para melhorar o alinhamento da coluna. A postura pode até ficar temporariamente bonita, mas os malefícios são muito maiores que os benefícios.

Comprime os órgãos: O uso de corselets pode gerar uma compressão muito grande aos órgãos abdominais. Em casos extremos, pode acontecer uma síndrome compartimental abdominal, que provoca diminuição do fluxo de sangue aos órgãos dessa região.  

(Fonte: www.minhavida.com.br)

 

 

 

22 comments

  • Usei o espartilho durante oito horas e quando fui tirar tinha graves bolhas q levou semanas p serem curadas…sofri muito N consegui entender ainda o Pq disso tudo ter acontecido ?

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  • desculpe, mas vcs não perdem o costume de ressaltar a negatividade em tudo. Um dia ovo faz bem, e no outro não deve se consumir, e assim é com a cinta ou corset, eles fazem bem sim se usada corretamente e com moderação. Fica um luxo, o que não pode é largar as banhas e engordar cada vez mais, isso sim faz mal para a saude e a autoestima. Eu uso, antes optava pelo corset, pois se tem mais resultados, agora q estou com a cintura mais fina uso a cinta .

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  • Me desculpe, mas vocês só estão mencionando supostos prejuízos pelo uso da cinta. Uso cinta modeladora há anos e estou muito feliz com minha cintura, nunca tive nenhum tipo de problema. Por alguma razão os profissionais da saúde tendem a ressaltar a suposta negatividade de tudo.

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  • Boa tarde, comecei usar a pouco tempo pois estou com uma hérnia que tem me incomodado muito devido a cirurgia bariátrica, tenho sentido dores nas pernas, acredito que seja por causa da cinta, será?

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  • Usei durante quatro meses, e estou sentindo muitas dores nas costas.
    usava 8 hs por dia o resultado aparente era perfeito. porém as dores comessaram
    recentimente. parei imediatamente o uso
    .

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  • Por que meu comentário foi apagado?
    Eu só escrevi que sempre usei e nunca me fez mal.
    Não usei nenhuma palavra que pudesse ofender alguém.
    Não critiquei ninguém. Por que apagaram??

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  • Eu uso desde adolescente e nunca tive problema algum, só não uso nos dias de menstruação. Tenho 38 anos e minha cintura é maravilhosa, sinto falta da cinta quando não estou usando.
    Adoro usar cintas modeladoras e espartilhos.

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  • Comecei a usar recentemente, uso 3h por dia. Nao quero ficar horas e horas pra na hora causar problema, tudo usado de forma cautelosa dificilmente trará problema. Da mesma forma que se vc passar muito tempo com uma cinta muito apertada pode trazer graves problemas como beber inumeros copos de água por dia (ultrapassando o limite de 2L) tbm 😉

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    • jennifer, vc pode sim usar de 6 a 8 horas por dia, este tempo não é abusivo, abusivo já é o dia todo, inclusive algumas mulheres dormem com elas, ai não pode, mas, 3 horas por dia não terá resultado algum,

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  • Sabe aquele ditado? Tudo demais e veneno? Nao concordo que faca mal a saude o uso de cintas e corsets se usados de maneira correta respeitando os limites do corpo. Claro que se vc apertar demais vai comprimir a expansao dos pulmoes e etc como ja foi explicado aqui. O que acontece e que as pessoas querem resultados rapidos e nao se dao conta. Comecei a usar cintas de latex ha 15 dias e fui com moderacao. Li muito a respeito, comprei um tamanho onde eu possa sentir que meu abdome e costelas nao estao sendo prejudicados. Recentemente adicionei o uso de corsets tambem e estou fazendo o mesmo. Nao aperto a parte de cima demais apenas mais embaixo. Ja vi resultado. Acho que sabendo usar direito da certo. E outra, se realmente fizesse mal aquela mulher com 30 cm de cintura que ja ta velha ja tinha morrido ha muito tempo. Nos anos 90 as mulheres tinham mais cinturas porque as calcas eram mais em cima e depois das calcas mostrando o umbigo todo mundo ficou com duas cinturas. Enfim. o uso das cintas/corsets aliando com exercicios fisicos e abdominais ajuda a ter uma cintura mais fininha…

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  • A mais pura verdade. Eu amo a peça! Eu uso corset a anos mas sem os exageros que venho observando a tempos. Vejo muitas pessoas vendendo o sonho do TL para obter uma cintura mais fina sem pensar nas consequências na saúde que isso pode levar. Muitos vendem esse sonho pelo retorno financeiro ou pela ignorância mesmo. A verdade é que tudo usado de forma exagerada tende a ocasionar danos a saúde. Aconselho a procurar um médico e conversar a respeito. Eu não recomendo ficar muitas horas com um corset. Muito menos aperta-lo de forma a causar desconforto.

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  • Acho que cada caso é um caso e cada médico um médico. Tanto tem médicos que recomendam quanto tem médicos que não recomendam. Eu por exemplo uso e em mim me faz bem. Faço exercícios físicos regularmente, mas ainda com eles tenho dificuldade de eliminar líquido. A cinta me ajuda tanto a eliminar líquido quanto na postura. O meu esposo da mesma maneira tem problemas com postura e a cinta o está ensinando a manter-se mais reto. Fora que dizer que a cinta por apertar atrapalha circulação é errado, a “muuuito apertada” tudo bem, mas no tamanho ideal, em vez de atrapalhar ajuda. Porque as veias sobre pressão ideal ajuda quem tem problemas circulatórios. Senão até mesmo o uso da meia Kendall de forma medicinal já seria abolido.
    Acho que não dá para nivelar a forma de pensamento, por que cada pessoa reage de forma diferente. Se espremer demais só por questão de beleza é ruim. Mas dentro do que é o ideal, fará bem. O que as pessoas tem que ter é a mente sadia e buscar isso. Porque nenhum apetrecho no mundo consegue esconder o que realmente somos. Quando chegar em casa tá tudo lá. Busque ficar bela mesmo, por que isso é bom e faz bem pra mulher, mas principalmente busque aceitar-se e amar-se como é!
    Um grande abraço a todas,

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  • Bem, para mim, a cinta funcionou muito bem. Comecei a usar logo q tive a minha filha, e o tamanho foi do G ao menor que o “mini-mini”, feito por encomenda. Hj pratico atividades físicas e uso com menos frequência. Engordei 30 quilos na gravidez, e mesmo não fazendo academia, minha barriga e cintura se moldaram ao uso frequente da cinta, tenho fotos para provar! É claro que existem pessoas que não se adaptam e outras nem podem usar por problemas de saúde. Mas sempre digo que a cinta me “salvou” num tempo q eu não teria tempo e nem dinheiro pra fazer academia, ou uma cirurgia plástica.

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