Falo demais?

Falo demais?

“Eu falo demais?”- perguntei ansiando pela resposta negativa ao que ouço:

– Sim, Fabi, você fala muito!

Era o jornalista Wagner Cantori que caminhava comigo e com o Guga em direção ao refeitório do Unasp. Ele ainda tentou amenizar: – “mas isto não é ruim, é só… bem… hã… uma… por assim dizer… característica”. Até agradeci o paliativo, mas fiquei desapontada. Explico. Eu falava muito mais!

Tenho tentando diminuir a vazão das minhas palavras, pois não é legal alguém que fala muito por perto o tempo todo, daí precisam de descanso… de mim! Isto é deprimente. Venho fazendo progressos, sei que sim. Meu marido me cumprimenta sarcasticamente, às vezes, dizendo o quanto já progredi e as pessoas mais próximas dão conta do caminho duro que percorro pra segurar a língua travadinha dentro da boca, ainda que serrando dolorosamente os dentes.

Por achar que estava muito melhor do que a realidade denunciava é que fiquei triste. A imagem que fazemos de nós mesmos precisa de um upgrade vez ou outra para não corrermos o risco de viver num mundo só nosso, alheio ao que todo mundo vê. Sabe aquela pessoa que só enxerga um lado de cada coisa, seguro em suas próprias razões como um náufrago à tábua em meio ao vasto oceano achando que ali é mesmo a porção mais segura da vida? Pois é, se olhar ao redor vai descobrir que existem diversas versões de si mesmo.

Não é o caso de ficar variando ao som de cada melodia cantada pelas opiniões alheias, nem de não se conhecer de verdade e só se basear nos outros, mas de abrir o ouvido e a cabeça para conferir se tudo isto que acha de si mesmo é o que a vizinhança percebe. Puxa, se uma pessoa diz, outra  também e uma dúzia em seguida, talvez seja você mesmo o errado. Duro admitir, mas deve ser, amigo. Uma vez ouvi: “se uma pessoa diz que você é um cavalo, ignore. Se duas disserem, preste atenção. Se forem três, compre uma ferradura!”

Eu já fui pior… mas me dei conta de que ainda tenho muito a desenvolver para ficar melhor. Talvez eu nunca seja “quieta e silenciosa”, mas pode chegar o dia em que minha foto não fique ao lado do verbete FALADEIRA no dicionário.

5 comments

  • Já tentei mudar e ser menos falante. Resultado… sofri horrores. Tentei ser quem eu não era. Mas com certeza amadurecer me fez ser mais sensata. Sempre me obrigo a pensar que posso falar sim e muito…. mas quando pedem a minha opinião. Mas fazer o que? Gostamos de falar.rsrsr

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  • Eu sou uma faladora nata! E confesso que algumas vezes, os comentários pertinentes acabam me afligindo. Mas, já pensou se todos fossem iguais? Todos com a mesma forma de pensar, o mesmo cabelo, a mesma paixão por uma determinada música, o mesmo estereótipo…? Não haveria graça nenhuma. Bom, apesar de eu exagerar um pouco no falatório, aprendi a ficar ao lado das pessoas que me aceitam do jeito como sou. E convenhamos, nunca iremos agradar a todos pela forma que somos. Eu, sou bem alegre, arretada, falo bastante, sou participativa (leia-se hiperativa kkk). E existem pessoas que não suportam minha alegria! Vou fazer o que? Somente continuar a implantar temperança no meu modo de viver, modificando meu ser conforme a vontade do Espírito Santo. Vou fazer o que? Amei o artigo! Um dia tento escrever com bastante coerência como você kkk (um obstáculo ortográfico a ser mudado com urgencia)

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  • Já nao aguento mais um ser com tantas historias,tantas novidades tantos assuntos,sempre com casos super interessante mas cansei de ser chamada de a moça que fala muito….

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