Fofoqueira, eu?

Fofoqueira, eu?

“Menina, nem te conto!”. #QuemNunca, atire a primeira pedra! Falar da vida dos outros é ou não é uma tentação diária na vida da gente?! Acredite! Pode ser muito mais do que pensamos. Quer ver só? O palavra ‘fofoca’ não existia nos dicionários mais tradicionais da língua portuguesa, mas o seu uso é tão frequente, que ela passou a fazer parte das novas formatações nos livros dos significados. A fofoca, fuxico, ou mexerico, são sinônimos de “intrigas” e “bisbilhotices”, consistindo no ato de fazer afirmações não baseadas em fatos concretos, especulando a relação à vida alheia. (Fonte: Novo Dicionário Aurélio).

blog_fofoca10Agora quer ver o significado disso na prática? É só sair perguntando por aí quem já foi vítima de fofoca. Aparece um monte de gente! No caso dessa reportagem, várias pessoas diferentes aceitaram falar sobre o que sofreram por causa de mexericos, e justamente pelo constrangimento que passaram, pediram para que suas identidades não fossem reveladas. Todos os relatos dessa reportagem são verdadeiros, mas os nomes das pessoas foram trocados afim de preservar a imagem de quem já enfrentou maus bocados por causa de conversas disseminadas por aí em conversas de mau gosto.

Fofoca na igreja, na escola e no trabalho

Em 2008 Suzana Marques começou a frequentar uma igreja e resolveu se batizar. Ela morava com Roberto Maia, com quem tinha um filho, mas eles não eram casados. Por causa da decisão pelo batismo, ela resolveu ajustar esse ponto em suas vidas e eles se casaram civilmente. Desde então, começou um grande murmurinho dentro da igreja que Suzana só saberia meses depois. “Meu marido não era adventista, mas estava começando a frequentar os cultos junto comigo. Eu estava tão feliz com aquela fase, que não percebi uma pessoa próxima a mim querendo destruir aquele momento com fofocas a meu respeito”, lembra Suzana.

Naquela época, a professora cita o susto que tomou quando soube o conteúdo das conversas que estavam rodando dentro da igreja envolvendo o seu nome. “Foi terrível! Essa pessoa, que eu considerava minha amiga, na minha ausência falava para os outros que eu me envolvia com homens da cidade, e que as mulheres da igreja deviam tomar cuidado comigo e ficar de olho nos seus maridos quando eu estivesse por perto. Foi horrível saber daquilo, porque os murmurinhos se espalharam rapidamente, e eu passei a ser rejeitada dentro da minha igreja”, conta. Suzana entrou em depressão, e junto com o esposo pensaram que o melhor seria abandonar a congregação. “Eu tinha acabado de aceitar pelo batismo, e sabíamos que aquela igreja era verdadeira, mas não dava para continuar lá dentro com tantas fofocas nos atingindo. Não deixamos a religião, mas passamos a frequentar uma igreja longe da nossa casa, onde as conversas ficaram para trás”, explica Roberto, marido de Suzana.

Da igreja para o ambiente da escola e do trabalho, Marina Duarte passou por uma situação semelhante a do casal acima. Durante um curso técnico, em 2011, a jovem ficou amiga de uma garota da sala. O que ela não desconfiava é que, pelas costas, essa nova amizade criava uma rede de fofocas. “Descobri, por meio de outras pessoas, que ela falava coisas horríveis de mim. Porque eu gostava de me cuidar, ela falava que eu era metida e amostrada. Ela falava das minhas roupas e das minhas coisas. Durante o curso, eu e ela fizemos uma seleção de estágio, e eu passei. Nos primeiros dias de trabalho soube que ela estava espalhando que eu só tinha ganho a vaga por que bajulava os chefes. Para muita gente ela conseguiu denegrir minha imagem”.

Fofoca é coisa de mulher?

E pra quem pensa que fofoca é um hábito puramente feminino, o resultado de uma pesquisa realizada em Londres é de surpreender. Ela indica, que, embora o conceito dos ‘mexericos’ esteja ligado ao universo feminino, são na verdade os homens que falam mais da vida alheia. Mil donos de aparelhos celulares foram entrevistados na capital da Inglaterra com o intuito de saber qual era o teor da conversa. Desses, 33% dos homens eram fofoqueiros habituais, contra apenas 26% das mulheres. (Fonte: Social Issues Research Centre).

O funcionário público Eduardo Magalhães foi vítima de uma fofoca vinda de um homem. No final de 2013, em uma reunião de liderança de jovens da igreja, ele ouviu comentários negativos a seu respeito circulando entre os participantes. “Eram fofocas quanto à minha liderança. Uma pessoa, que talvez se acha mais capacitada que eu para a função que desempenho voluntariamente na igreja, disse que eu não era digno de estar ocupando aquele cargo, e começou a falar coisas negativas ao meu respeito para os demais”, conta o líder. No momento, Eduardo confessa que a vontade foi de tirar satisfação, mas pensando um pouco, mudou de ideia. “Vi que não ia levar a nada! Quem me conhece sabe que não sou o que ele estava dizendo, e como líder, não devo ser influenciado por esses tipos de comentários maldosos. Simplesmente neguei a fofoca e continuei tratando essa pessoa como se nada tivesse acontecido. ”

Por que as pessoas fofocam?

Mas, afinal de contas, por que a fofoca é um hábito tão comum? O que move as pessoas a falar da vida alheia, e até inventar coisas a ponto de prejudicar a vida dos outros? A psicóloga especialista em comportamento, Dinalva Barros, explica: “Fofoca é uma forma de projeção, uma maneira de fazer uma projeção de algo interno a um objeto exterior a nós, neste caso, a pessoa de quem se fala. Quando algo em relação ao outro nos incomoda, precisamos nos questionar de que forma essa característica dessa pessoa diz respeito a alguma particularidade pessoal. A inveja está na raiz da fofoca. Sentir prazer em ver os problemas da vida alheia serem conhecidos por todos pode ter como causa um sentimento de inferioridade em relação a esta pessoa, cujas qualidades provocam ciúme, inveja, raiva. Falar de um aspecto negativo de alguém produz um falso sentimento de superioridade, superando esse mal estar”.

Para quem vive no ambiente da igreja, a preocupação com esse hábito deve ser ainda maior. Segundo o pastor e terapeuta familiar, Edimir Tavares, a fofoca pode ser considerada um pecado, assim como roubar ou matar.  “Tudo que fazemos e, através disso, prejudicamos nosso semelhante, isto é um pecado – e sabemos que a fofoca gera prejuízos enormes! Na categoria das coisas inconvenientes praticadas por aqueles que se afastaram de Deus, o apóstolo Paulo inclui os ‘difamadores’ e os ‘inventores de males’ (Rom. 1:29-32). Vale a pena lembrar que está na mesma lista àqueles que ‘aprovam os que assim procedem’. A sentença de Deus para os que tais coisas praticam nos revela quão sério é o pecado da fofoca: ‘são dignos de morte o que tais coisas praticam’ (v.32)”.

Deixando meu vício de lado

Women whisperingDeixar de fofocar pode ser um grande desafio, mas quem colocou essa meta na vida e alcançou, pode dizer que vale a pena. Foi o que aconteceu com a professora Lorena Chaves. “Minha melhor amiga começou a namorar com um rapaz da igreja, mas ela me pediu segredo sobre o assunto, pois a mãe desse rapaz parecia não gostar muito dela. Eu conhecia essa senhora e pensei que o melhor seria contar logo, e foi o que fiz. Não só contei do namoro escondido como planejei um encontro delas. Foi uma tragédia, e essa minha amiga não quis mais falar comigo. Eu me arrependo muito do que fiz, e depois desse dia que prejudiquei a vida de uma pessoa que eu realmente gostava, pedi forças a Deus para largar esse hábito”, conta.

A psicóloga Dinalva Barros acrescenta algumas dicas para quem quer abandonar a prática da fofoca. “O tempo gasto em fofocar poderia ser usado em algo produtivo como leitura, comunhão, exercício físico moderado, dieta equilibrada, descanso, lazer, falar com os outros e não falar sobre os outros – e isso já é alimentar a mente de forma saudável. Mas, antes de buscar alimento para a mente, o fofoqueiro precisa se questionar sobre o que falta em sua vida e que o está levando a gastar tanto tempo em falar da vida alheia. Sem a identificação do problema é difícil querer substituir o hábito”, ressalta.

O pastor Tavares acrescenta a importância de homens e mulheres que se consideram cristãos se absterem do vício da fofoca. “Na oração sacerdotal em João 17 percebemos que o grande desejo de Jesus é ver a unidade entre os irmãos (v.22,23). E se há algo que fere diretamente esse objetivo do Mestre é a fofoca. Ela causa divisões. produz mágoas profundas, traz danos à reputação das pessoas e da igreja, separa amigos e casais. Uma igreja assim é uma igreja doente, e não pode ser representante do evangelho eterno.  Se buscarmos compreender o contexto do nascimento da igreja apostólica, concluiremos que a desunião bloqueia a atuação do Espírito Santo na vida das pessoas. Sendo assim, a missão da igreja estará extremamente comprometida”.

Pra pensar:

Na Bíblia encontramos sérias advertências sobre os perigos de falar da vida alheia. Veja alguns textos:

– “O que despreza o próximo é faltoso de senso, mas o homem prudente, este se cala. O mexeriqueiro descobre o segredo, mas o fiel de espírito o encobre”. (Prov.11:11,12).

– “O mexeriqueiro revela o segredo; portanto, não te metas com quem muito abre os lábios” (Prov. 20:19).

– “A boca do insensato é a sua própria destruição, e os seus lábios, um laço para a sua alma. As palavras do maldizente são doces bocados que descem para o mais interior do ventre”. (Provérbios 18:7-8).

– No Novo Testamento o apóstolo Paulo repreende as pessoas que desperdiçam seu tempo se envolvendo com a vida dos outros (1 Tim. 5:12,13).

Por Rebbeca Ricarte – Jornalista 

6 comments

  • Passei por isso com uma pessoa que dizia ser minha “irmã”, que me admirava, etc, etc. Soube por homens primeiramente que por causa da baixa autoestima dela, ela falava coisas absurdas de mim pra eles, que uma verdadeira inimiga falaria. Ela falava mal de mim sempre questionando se eles queriam me namorar. Além dos homens pessoas me relatam até hoje que ela fica competindo para que gostem mais dela. Ela fofoca sobre todo mundo e canta no coral, louva, se emociona, faz gestos, publica mensagens sobre Deus em redes sociais.
    Esse tipo de gente é um câncer dentro das igrejas. Só causa divisão e deveria ser disciplinada. Os danos levam tempo para serem reparados.

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  • Obrigda pelo post! Já fui vítima de fofoca e ainda sofro as consequências. Mas estou entregando tudo a D-s, pois como está descrito no teto istoé fruto da inveja e insegurança de quem faz a maldita fofoca e no mínimo irá me ensinar a não fazer o mesmo com outros. Abrçs thuthuca lindona!!!! Sempre assisto seus vídeos,que D-s te abençoe e preserve seu coração com esse desejo de ajudar o próximo com seus posts. ;*

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      • Fabi!! Queria te pedir um conselho, assim eu realmente fiz algo sem querer , foi mesmo sem qualquer intenção ruim, porém não acabou muito bem, eu pedi desculpas a ela e aos que deveria,só que sabe aquela sensação de que eles parecem não ter perdoado de verdade ? pois é, está bem assim, e eu estou muito triste, porque na realidade eu contei algo a ela simplesmente porque ela insistiu que eu contasse, mas e agora? como que eu faço? Porque eu vou nos cultos e não consigo adorar, fico com uma sensação péssima!!

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