Fora da roda dos escarnecedores

Escolher amigos é fundamental para a nossa vida. Saber com quem compartilhar valores e parte da vida é uma tarefa importantíssima que determina sucesso ou fracasso. Quando eu era pequena meus pais foram bem incisivos neste quesito. Até mais do que eu gostaria, aliás. Alguns que eu considerava divertidos ou animados eram considerados inapropriados por meus pais e eles logo davam um jeito de esfriar a amizade, proibindo brincadeiras, visitas à casa e por aí vai. Você sabe como os pais fazem, não me demorarei nestas explicações. Fato é que aprendi cedo ainda que é preciso zelo na escolha de quem nos cerca.

Na escola eu não era exatamente popular. Era conhecida, por sempre ser estudiosa, mas não fazia parte das turmas mais badaladas, nem vivia cercada de garotos bonitos e meninas festeiras. Seguiu-se assim no colegial e na faculdade. Nesta última, com até mais intensidade. Tenho bons amigos, não me julgue solitária, por favor, mas aqueles de frequentar a casa, saber dos planos, dos rumos… ah, estes eram poucos! Até porque nunca fui dada à conversas assim, destas de jogar fora. Custou muito caro o meu período na graduação, para meus pais e pra mim.

Justamente por saber do preço, aproveitava o quanto podia o tempo de internato, de vivência com os professores e, claro, ao passo que virava queridinha dos mestres, não o era entre os colegas. Você, leitor, pode imaginar e se me conheceu naquele período, pode lembrar. Dados os fatos, não era figurinha fácil nas festas, nos passeios e nas turmas descoladas. Sofri um pouco, numa vez ou noutra, mas meu foco estava além dali. Queria o melhor para a minha formação e sempre tive medo de distrações e amigos/colegas, podem ser uma perigosa distração.

Vi pessoas da família e do círculo social enveredarem por trilhos perigosos, influenciadas por amigos – se bem que este é um título nobre demais para atribuir a este tipo de pessoa. Todavia, estar ciente dos riscos me fez ter mais cautela ainda. Não queria, de modo algum, qualquer proximidade com drogas, bebidas, farras ou orgias. E faculdade tem disso também, ainda que fora dos muros. Talvez você pense que eu era triste ou isolada e não existe retrato mais incorreto para o que eu era, te asseguro.

Uma vez alguém me disse que eu não devia fazer diferença entre as pessoas e tratar tudo igual e vi que ela confundia um princípio básico: tratar todos com igualdade e respeito não significa aproximar demais a ponto de ser levada junto ao lodo. Tomei pra mim que sempre faria o máximo para mostrar o bom caminho para amigos em descaminhos, mas ao constatar resistência em mudar, não ficaria de mãos dadas pra cair junto. Egoísta, talvez você me rotule. Eu diria cuidadosa. Até demais, pode ser. Mas prefiro seguir sozinha em segurança do que me perder em grupo. Meu plano maior é o céu. Nada aqui parece bom o suficiente para eu arriscar este objetivo mais nobre. Se pessoas ao meu redor oferecem riscos, prefiro me afastar. Se pedem ajuda, estarei lá, atenta para ajudar, mas não contem comigo para rumos que me afastem de Deus, não faço questão de sentar nestas rodas.

3 comments

  • Eu me identifiquei com a sua matéria tenho um relacionamento interpessoal com algumas pessoas de coleguismo e respeito mas, amigos pessoas mais íntimas escolho a dedo. Dizem isso ser egoísmo eu chamo de amor próprio, cuidado e estima.Vejo amigos como conexões divinas… NÃO sou preconceituosa com relação a religião eu verifico valores e princípios. Tanto que uma das minhas melhores amigas é espírita e eu oro por ela constantemente…

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  • Estas palavras me confortaram… já fui julgada como anti-social por não ter amizade com certas pessoas, pelos mesmos motivos que os seus!
    Amei esta afirmação: “Meu plano maior é o céu. Nada aqui parece bom o suficiente para eu arriscar este objetivo mais nobre. Se pessoas ao meu redor oferecem riscos, prefiro me afastar. Se pedem ajuda, estarei lá, atenta para ajudar, mas não contem comigo para rumos que me afastem de Deus, não faço questão de sentar nestas rodas.”
    Que Deus te abençoe sempre, Fabiana!

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