Fugindo para o brilho

Fugindo para o brilho

Eram muitas as atrações em volta e ele mal podia se conter. Brilho, barracas com comidas e presentes coloridos. As luzes do Natal levaram as famílias para a rua e aquela era um exemplo típico. Logo atrás eu não sabia se ria ou se repreendia. Resolvi ficar olhando. Soltando da mão do pai ele corria em volta e, fascinado, dava pulinho de entusiasmo. Volta e meia olhava pra trás pra ver se o pai ainda estava por ali, por garantia.

Atrás dele ia o pai, tomando cuidado para não perder o garotinho de vista. Tarefa difícil, pois nem chegava a um metro de altura com seus prováveis 3 aninhos. Enquanto espreitava, imaginando o susto que levaria quando se visse perdido, dei-me conta de que faço o mesmo, brincando de fugir do Pai enquanto as luzes da vida me atraem para fora do perímetro de segurança. Não é assim contigo, querido leitor? Comigo é.

Tudo parece estar certo, o Pai ali do lado e em volta as inúmeras atrações. Dou uma olhadinha para ver se não fui muito longe e continuo na busca por algo a mais. Olho de novo, o pai está lá. Longe, é verdade, então acho que ainda está seguro avançar mais um pouco, correr ali, pegar algo acolá. Dou risada, sinto coisas, vibro e quando tudo já não é tão novidade ou brilho canso, olho para trás. Mas cadê o Pai. Ele estava ali, mas fugi dEle. Brinquei de fugir, pois não queria mesmo ir embora de verdade, mas no meio da multidão meus passos me guiaram inseguramente.

Dá um desespero, o caminho é longo pra voltar, as luzes ofuscam, muita gente no contra-fluxo e o Pai, cadê? O bico ameaça desencadear um choro, os olhos arregalados em busca de qualquer sinal dEle…

Enquanto eu pensava, lá vinha o garotinho chorando de soluçar, abraçado ao pescoço do pai que na minha direção passava, indo embora e assegurando: “Não precisa mais chorar, calma, o papai está contigo, eu te achei”.

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