Idas e vindas…


Sempre falo tanto da vida alheia nos meus posts … Hoje resolvi falar de mim. Abrir meu coração para derramar a tormenta de pensamentos que não sossegam dentro da minha cabeça. Quem sabe escrevendo – e escrevo para sobreviver, como diria Clarice Linspector – meu coração se acalme e minhas elucubrações dão uma trégua para o sono.

Estou de mudança, como alguns sabem. Depois de quatro anos muito felizes em Curitiba, meus pés rumam a Porto Alegre seguindo os passos do meu amor, que foi transferido pra lá. Sou BEM baiana e, a despeito de todas as evidências, muitos creditam sulista à minha biografia. Já nem ligo. Acho mesmo é que sou uma espécie de “baiúcha”, pois adoro minhas raízes nordestinas, com todos os valores agregados, e curto um monte tudo que é do Sul. Depois de Santa Catarina e Paraná, vou completar os três Estados, as três capitais e conheço muito mais esta área do Brasil – com sotaques, cores e sabores – do que qualquer outra região.

O fato não é o lugar, mas é a mudança em si. Fico perturbada a cada uma delas. Engraçado até, já que adoro mudar. E estas transferências me apresentam de novo à possibilidade de reencontro, de descobrimento. É um transtorno achar de novo os lugares preferidos, a padaria, supermercado, cabeleireiro e quitanda. Fico desconfortável até achar meus cantinhos de fuga no centro da cidade com seus sebos e livrarias onde assento por horas a fio, mas tem coisa pior na mudança.

Não temo pela possível perda profissional, nem fico martelando se terei ou não emprego a cada mudança. Isto não é o mais assustador nestas idas e vindas. Mais me aflige é me reencontrar, pois me perco em cada translado. Achar mercado e costureira, academia e manicure. Tudo isto é difícil de imediato, mas encontrar o seu lugar, isto é complicado. Não. Não estou falando do seu lugar no mercado de trabalho, do seu lugar na família, na vizinhança. Nem no seu lugar no espaço, na sociedade nova. Estou falando daquele lugar que só você sabe onde é, e mais ninguém. É um lugar que sempre buscamos – eu sempre busco – sem a certeza de que de fato existe ou se é possível encontrar. O problema é que em cada mudança, sou apresentada de novo a esta busca constante e sem fim que a comodidade e a ambientação me fez, por ora, esquecer. Quando tudo isto sai de cena, a procura volta e isto aflige. É desconfortável.

É neste período que me encontro agora.

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