Ignorância proposital

Uma semana de férias e fugimos, meu marido e eu, para Natal, no Rio Grande do Norte. Ouvimos e vimos muitas coisas legais sobre esse paraíso natural e resolvemos conferir os elogios. Depois do tradicional passeio de buggy e de conhecer as praias mais próximas, resolvemos escapulir da rota turística e descobrir alguns paraísos mais desertos. No desjejum do hotel, perguntamos ao garçom sobre uma praia de que soubemos por moradores. Ele disse que ouvira falar da beleza do lugar, mas que não conhecia, mesmo sendo até perto. Fiquei curiosa e perguntei se conhecia outros pontos famosos, logo ali pertinho: “Não!”

O passeio de buggy, que atrai milhares de turistas todos os anos e de todos os cantos? Não, também! Como assim?, pensei. E o indaguei como era possível morar naquele paraíso e não conhecer nada além do caminho da roça. Ele riu envergonhado e falou que indicava para os hóspedes, ouvia que era bom, via as fotos e acreditava que devia ser muito bonito mesmo, mas que ele próprio não havia experimentado. Brinquei que não poderia acreditar nele, já que nunca tinha vivido nenhuma das experiências e passeios que recomendava, e ele, já vermelho, confirmou e fez uma ressalva: “Mas eu sei que é bom, oxente!”

Saber não é suficiente. Saí da mesa pensativa e discutia com meu marido como era possível saber onde estava o bom, ouvir falar, indicar para as pessoas, ter tudo isso tão acessível e simplesmente abrir mão dos benefícios que outros adorariam ter, se soubessem. A despeito da inconformidade, resignei-me ao seguinte pensamento: todos fazemos isso! Gosto da área de saúde e tenho uma experiência interessante com uma reforma nos hábitos alimentares que provei há quase uma década. Todavia, o conhecimento que adquiri de pesquisas, entrevistas e até de forma empírica não me faz praticar tudo o tempo todo, e, em se tratando de saúde, você deve ser como eu.

Quem não sabe que beber água faz bem, que devemos ingerir mais frutas, que menos de oito horas de sono não é bom, que devemos comer mais fibras, evitar comida lixo e descansar um pouco? Aposto com você, caríssimo leitor, que esses e outros conhecimentos estão impregnados em sua mente. Entretanto, quanto disso você pratica? Quanto de exercício faz, quanto de verdura come? Saber tudo isso e não praticar ou nem se esforçar para em prática é o mesmo que indicar praias paradisíacas que ficam ao lado de sua casa sem nunca ter ido lá. Parece idiotice, não?

Limitações à parte, podemos mudar alguma coisa para melhor na nossa saúde e nem precisamos virar veganos para isso. Alguns minutos de caminhada por dia, uma fruta a mais no desjejum ou no jantar, trocar o refri por suco natural ou parar um dia para descansar o corpo e a mente são coisas ao alcance de todos nós. Afinal, saber e não praticar é ainda não saber.

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