Não se trata de hipocrisia

Não se trata de hipocrisia

Suas ações podem fazer estragos

Fui ensinada a não ser duas caras e desde criança isto era um insulto enorme para qualquer pessoa. Ser falso nunca é visto com bons olhos e as pessoas gostam de dizer que são “transparentes”, “sinceras” e outros adjetivos do gênero. Claro, ninguém gosta de gente que parece uma coisa enquanto fala contigo e é exatamente outra quando a situação ou o interlocutor mudam. Por isto muitas amizades definham e tantos casamentos se extinguem.

Todavia, existe um outro lado a ser considerado aqui e não brigue comigo antes de pensar a respeito. Promete? É a máxima que prega serem os atos mais poderosos professores que as palavras. Ou você não conhece pais que mandam as crianças informarem que “não estão” para logo em seguida ensinar que não se pode mentir? Uma amiga minha gostava muito de refrigerante, mas não queria que seu filho pequeno tomasse a bebida, por ser demasiado insalubre. Combinou, então, com o marido e nunca mais tomaram na frente do pequeno.

Dias atrás fiquei pensando a respeito. Somos todos responsáveis pelo que cativamos, como diria o Pequeno Príncipe de Saint Exupéry, e acredito que nem todos os nossos “pecados” devam ser expostos sob pena de um estrago ainda maior e fora do nosso alcance pra conserto. Choquei você? Espero que não. Você ainda há de concordar comigo, querido leitor. É que, às vezes, um ato nosso tem um poder incrível de magoar, desencorajar, escandalizar e tudo isto irreversivelmente.

Alguns, na ânsia de se mostrarem “super sinceros” não consideram os efeitos colaterais de aparecerem comendo ou bebendo determinadas coisas na frente de pessoas que talvez não tenham bagagem pra suportar o escândalo. Ou ainda, julgam de pouca monta o falar e proceder de maneira indecente, levando outros ao mesmo erro. Sempre penso nisto ao ponderar que algumas das minhas fraquezas não devem mesmo nunca serem públicas. Não que seja um viés de falsidade do meu caráter, mais um cuidado para que o meu erro não leve outros ao erro e aí as coisas saiam do controle e eu não possa consertar o estrado.

Claro que é bem melhor não fazer nada que sirva de pedra de tropeço para os outros, pois as consequências podem ser adicionadas à sua conta, todavia, se algo impossível for, cuide para que não se espalhe. Um testemunho é muito mais poderoso do que a boa lição pregada. Pense nisto ao agir.

6 comments

  • Eu prefiro pessoas sinceras que são o que são em todo e qualquer lugar.
    Da mesma forma que uma pessoa pode se escandalizar pela sinceridade e transparência de uma pessoa e achar grosseria a outra pessoa pode se escandalizar pela falta de sinceridade, achar uma máscara e uma vida de falsidades. Então percebemos que é uma via de mão dupla…

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  • Concordo ! O sábio escreveu em provérbios assim: Se procedeste insensatamente em te exaltares ou se maquinaste o mal, põe a mão na boca. o que se aproveita em publicar nossos próprios erros? não seria melhor apenas corrigi-los e esquece-los?

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  • “Não que seja um viés de falsidade do meu caráter, mas um cuidado para que o meu erro não leve outros ao erro e aí as coisas saiam do controle e eu não possa consertar o estrado.”

    Pra mim, uma ótima paráfrase de 1a. Tessalonicenses 5:22 (Almeida Corrigida):
    “Abstende-vos de toda a APARÊNCIA do mal.” ;D

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    • …não que que se deva prestar contas a outros, mas trata-se da responsabilidade – e prudência – de usar o EXEMPLO como ferramenta de evangelização!

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