Odeio gente mal educada!

Não é assim um ódio qualquer, uma raivazinha de nada. É um incômodo grande, daqueles que fazem o estômago doer e te impulsionam para um estrangulamento urgente. Não, nunca ataquei ninguém, mas em pensamentos trucidei muitos e por um motivo bem simples: falta de educação. A questão toda não é a falta de instrução formal ou aquele ar cult cultuado com esforço por uns e idolatrado por tantos que nem de longe conseguem alcançar. É a educação sensorial, comum, daqueles que qualquer pessoa minimante decente consegue reconhecer e apreciar, sim, pois educação é algo que transcende escolaridade, títulos e cifras.
Outro dia no ônibus – que gostaria de usar mais por razões ecológicas, mas é por falta de outro carro em casa, mesmo – entrei num ponto perto do trabalho e o veículo foi se enchendo. Quando entrei, nem lugares havia mais e um senhor corpulento, com uma cara de poucos amigos fez de conta que não via as pessoas encarando o lugar preferencial que ele ocupava. Não fui com a cara do sujeito, nem com seu jeito abusado. Duas senhorinhas sexagenárias entraram e mal continham-se segurando o mastro jeitosamente cuidando para não forrar o chão a cada parada brusca do motorista que também não tinha lá muitos recursos educacionais. Paradas ao lado do grandalhão que ocupava o lugar onde elas deveriam estar sentadas, me incomodou mormente enquanto ele as encarava e voltava para a janela como que fingindo não se tratar dele mesmo.
Passei a encarar o sujeito com uma fúria canina que faria meu marido correr para longe, mas o infeliz me olhou com desdém. Ah, não! Aquele não era um bom dia para fazer aquilo.
– Senhor, este assento é preferencial e tem duas senhoras idosas aqui, poderia ceder o banco para uma delas? – indaguei.
Fingiu não me ouvir e não me fiz de rogada. Naquele instante os outros usuários já se interessavam pelo assunto espichando o pescoço e equalizando os ouvidos. Contudo, o objeto da conversa nem se dava ao trabalho de me olhar. Não gostei, ah, não gostei mesmo. Repeti e ele então me encarou, com raiva, com vontade de me agredir, fez uma careta e se ajeitou no assento, cruzando os braços em claro sinal de afronta. Olhei pra ele retribuindo o olhar desaforado e ali ficamos em segundos que pareciam horas. Os cochichos aumentavam a ira do camarada que se sentiu incomodado, levantou, apertou o sinal de descer e me encarava bufando de raiva.
Na saída, arrancou a camisa e fez sinal de que jogaria em mim enquanto pronunciava adjetivos nada elogiosos. A velhinha cedeu lugar à amiga ainda mais idosa e eu me senti violentada pela falta de educação do sujeito que, por sua vez, se sentiu incomodado por minha solicitação que evidenciava sua grosseria.

6 comments

  • Concordo plenamente com o seu comentário. Não existe criatura mais inconveniente do que o mal educado .Pior ainda se esta pessoa for FOFOQUEIRA e DESTITUÍDO DE QUALQUER TIPO DE CULTURA.

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  • Olá. Você não é a única. Também me sinto assim. Parece que estou no inferno com esse tipo de gente do meu lado. Me sinto enojada com a forma que eles se comporta. São pessoas de péssima índole, mal educadas, maloqueiras, etc. Não tem respeito ao próximo, acho que isso é o mínimo que nos diferencia dos animais, porém acredito que os animais são “lords” perto do ser humano. Mesmo porque, os animais são seres tão puros e ingênuos, sem a mentalidade poluída do ser humano.

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  • agora mesmo increspei com uma mulher na padaria, todos a guardavam o preparo do pão, a dita cuja chegou bem na hora que o ” queitinho tava saindo e passou a frente de todos…
    fui falar com ela e a indescente ainda retrucou: tem bastante pão vai dar pra todo mundo…
    mas a questão ñ é essa!

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  • É impressionante como essas pessoas são comuns. Compartilho com você essa indignação contra a falta de educação mais básica. Outro coisa que me irrita profundamente é o fato de algumas pessoas não se preocuparem nem um pouco em jogar lixo pela janela. Ah! se eu pudesse !

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