Bate e volta
Quando queremos fazer alguma coisa – quando a vontade impera – a razão perde. Invariavelmente é assim conosco, seres humanos. Ainda que a vontade seja algo contrário à nossa noção de certo, geralmente ela é soberana à razão e isto é muito triste. Não falo de tristeza de ficar chorando pelos cantos, mas daquela tristeza crônica de se ver fraco perante aos caprichos do nosso caráter. Tenho disso, de me lamentar.
Problema mesmo é quando alguém resolve criticar o que nos dá prazer e uma descarga de endorfina. Daí nos munimos de toda nossa agressividade, física ou verbal para atacar aquele que nos recrimina. Torna-se imperativo encontrar e proclamar os erros, as falhas, desconsiderando o acerto. Tipo assim: a pessoa fala sobre as vantagens de se comer frutas e verduras e de como se abster faz mal pra saúde. Daí eu que não como, que sei que devia comer, que não gosto de alguém falando certo o que faço de errado, vou lá e descubro que o tal elemento não bebe muita água. Daí falo da hipocrisia dele de falar das frutas se não bebe tanta água como deveria e água é importante.
Consegue ver? Tá, ele faz algo de errado, mas está falando de outro assunto, de outro tópico que deveria ser colocado em destaque. Mas não, nós, obstinados pela “vingança”, ignoramos o acerto para enfatizar o erro e invalidar não só a mensagem, mas o mensageiro. Ponho-me a matutar porque raios fazemos esta bestialidade. Eu sei. Você sabe. Todavia não aceito que eu mesma seja tão retardada a ponto de rejeitar uma boa dica, uma oportunidade de acerto, por sentir-me ofendida em meu poço de erros. Tão lamentável!!
Quando se sentir ofendido pelo acerto de alguém, pela condenação ainda que não intencional. Resista! É que pode dar vontade de agredir, criticar, indagar ironicamente e perscrutar por faltas. Contenha-se. Absorva o que há de bom para se absorver e siga sua vida, sendo melhor a cada dia sem regredir no ataque imbecil. Ok, tranquilo?
Pão e Circo, o retorno à barbárie
Eu devia ter uns 10 anos quando ouvi pela primeira vez a expressão “panis et circenses”. Era uma aula de história em que fiquei sabendo dos horrores da carnificina promovida por imperadores romanos para distrair o povo, o famoso pão e circo. Na minha cabecinha ficou a associação entre violência gratuita e pessoas degeneradas moralmente, coisa de muito antigamente.
Sou pacifista por opção religiosa e índole. Lamento até em matar um pernilongo e fico pensando em como sofrerá a esposa e os filhinhos do bichinho que não voltará para casa. Até por isto rodeios, touradas e a infame farra do boi que acontece no litoral catarinense me exasperam. Tive que fazer reportagens lá, quando trabalhava numa TV local, e não conseguia ver lucidez na face daqueles homens (bêbados ou não) maltratando os animais só para rir.
Mas daí que esta insanidade me aparece novamente como moda do momento e com uma aura “cult”. São todos falando do tal UFC e da MMA que pelo que entendi é uma espécie de quase vale-tudo onde a graça é deixar o oponente no chão, de preferência inconsciente. Atores, artistas, intelectuais e – pasme! – cristãos comentando, torcendo, perdendo o sono para ver as tais lutas, como se fosse de fato um esporte. Tá que não sou das mais esportistas e admito que a preparação com corridas, musculação e ginástica seja de fato esporte, mas entrar no ringue como galos numa rinha e esmurrar o “parceiro”, fala sério!
Você pode ter uma opinião diferente, sinta-se livre, mas não consigo imaginar uma pessoa que torce, grita esbaforida vibrando com cada golpe violento achar coerente falar contra a violência. Você deixa seu filho assistir isto e quer ensinar pra ele que é errado brigar na escola? Você acompanha seu marido nestes serões de murros e golpes e depois advoga contra a violência doméstica? Como assim? Não vou culpar as tais lutas pela onda de violência nas casas, nas ruas, no mundo todo. Não sou burra, como eventualmente pareço. Contudo com apenas dois neurônios é possível perceber como afeta, sobretudo os que já têm tendência, os mais influenciáveis.
Transformar isto em show e nos vender com pacote bonito de esporte é zombar e subestimar a influência da violência, é voltar à antiguidade, aos gladiadores sanguinários e a insanidade coletiva ávida por sangue. É, de fato, comprovar a falta de civilidade.
Em que plano você está? A, B, C…
O que é viver no plano A da vida? Outro dia eu peguei uma carona com uma pessoa que me cumprimentava por não ter dado o trabalho a Deus de ter que usar o plano B e fiquei intrigada com a colocação. O que é afinal o plano A? Já pensou na inúmeras possibilidades que a vida te apresenta todos os dias? Você pode escolher ser cristão ou ateu, ou hindu ou judeu e aí já se define um caminho. Lá pra frente pode escolher usar drogas, se abster ou beber até cair e virar um dependente de estimulantes.
Ainda sobram as escolhas sobre o cônjuge. Com quem casar, afinal, se são tantas as possibilidades? Também pode ser que você decida pelo celibato ou por uma vida dissoluta e de luxúrias sexuais e nunca queira um casamento monogâmico, ou ainda decida por vidas distintas com dois ou três casamentos em paralelo. Tem gente que se arrisca, viu?! Isto sem falar da faculdade e profissão. Você pode seguir carreira acadêmica com mestrado, doutorado e livre cátedra ou curso nenhum. Pode também ficar no meio termo com os tecnólogos da vida.
Está em suas mãos ser um bom filho, uma irmã legal e ser de confiança para os amigos, mas tudo isto é que via do plano?
Ela falou do fato de eu nunca ter abandonado a religião na qual fui criada, de ter casado com meu primeiro namorado, escolhido a faculdade e terminado no tempo determinado e tudo parecer sem sobressaltos, mas penso em quantas vidas existem como a minha e mesmo assim a pessoa se acha infeliz, num plano de vida que não é o seu. Do mesmo modo, pessoas que vivem o tal do plano B (ou C ou D) e ainda acham que esta é a trajetória correta a se seguir.
Fiquei em dúvida quanto ao tal plano A, mas me dei conta de que tudo depende mesmo do Deus que eu escolher para guiar todas as possibilidades, pois é isto que por fim determinará o caminho pela frente. Se o seu deus for o dinheiro, talvez família, valores e ética fiquem no chão. Se o seu deus é o sexo e os prazeres da carne, bom aí terá que administrar os solavancos da trilha além, mas seu “senhor” pode ser você mesmo e num ato egoísta suas escolhas interfiram negativamente na vida de quem te rodeie. Acho que de uma forma ou de outra, ter escolhido o Deus Criador do Universo norteou minhas opções e isto não deixa de ser um plano A, já que antes de tudo é a opinião do meu Senhor que de fato conta. Mas vá saber se já não estou no B ou C e o trabalho que Deus já teve comigo até aqui e eu nem sei. Afinal, fazemos nossas escolhas e nossas escolhas nos fazem. Pense por um instante, quem é seu deus?
Transar pra quê?
Ando pensando em estratégia. Nunca fui do tipo militarmente correta, mas acho que deveria ser. É preciso reconhecer o perigo, sua fraqueza, a força do inimigo a ser vencido e traçar estratégias, preparar barricadas e até um hospital de emergência, de campanha como se diz. Hoje quero falar de estratégia para a virgindade. Desculpe se você já é casado e não está a fim do que vem a seguir, contudo, preciso escrever o que virá e se você não se importar, pode ficar até o final. Talvez seja útil para alguém que conheça ou ame.
Foi difícil casar virgem e falo isto sem nenhuma vergonha. Não sou santa para bancar a puritana sem tentações e, justamente por me lembrar bem dos calores é que sei como é preciso alguém que nos ajude com o balde de água fria. Costumo brincar que foi uma benção ter namorado metade do tempo à distância e isto bem antes de casar. Claro que parto aqui do princípio bíblico de abstinência sexual antes do matrimônio e você pode discordar à vontade. O blog é meu e registro aqui minha opinião a respeito. Se quer pregar outra coisa, faça o seu próprio blog!
Manter a pureza sexual antes do casamento tem inúmeras vantagens e é provável que você concorde com isto se está lendo até agora. São as econômicas (não precisa gastar com anticoncepcionais, camisinha, testes de gravidez e nem lingeries caras e sensuais), é de grande vantagem emocional (não se convive com o medo de uma gestação precoce, não há medo de doença sexualmente transmissível, não tem o medo de perder depois de ter cedido, etc.), sem falar que não há constrangimento ao encontrar ex-namorados (as), pois não se mostrou nada que outras pessoas também não vissem.
Transar antes do casamento – ainda mais quando se tem em mente que isto é errado – diminui seu valor diante do espelho e dá um trabalho danado para recuperar a auto-estima. Os garotos vivem querendo transar, mas na hora de escolher atribuem mais valor às virgens. Vai lá, me xingue de antiquada! Mas só o poderá fazer depois de uma enquete sincera com seus amigos, combinado?
Bom, estamos entendidos que não vale a pena o sexo antes do casamento e você está consciente de que deve esperar (já tendo experimentado isto antes ou não), só não sabe o que fazer com o fogo que parece consumir todo o corpo depois de uns beijos gostosos e de um intensivo de braile num canto escuro qualquer. Que tal começar por pensar? Difícil, sei disso, ainda mais se tentar conectar os neurônios na hora do incêndio. Não, o esquema de segurança se monta antes!
Onde é mais fácil cair em tentação? Onde o namoro esquenta mais e não há risco de serem interrompidos? Quem é mais firme para resistir? Qual o horário mais frequente dos abraços esfregados? Pensou aí nas respostas? Então é hora de se por como soldado a evitar a trincheira do inimigo, ok!? Dentro do carro, à noite, é difícil resistir? Nada de ficar sozinhos no carro então, e isto tem que ser dito pelos dois em voz alta para assimilar. Depois das 22h o cérebro entra em parafuso e os arrepios tomam conta? Volte pra casa antes das 21h30! O namorado pressiona mais, converse firme com ele e ressalte seu valor. É ela quem provoca intencionalmente? Fale dos valores, dos planos, vantagens e peça para dar uma alargada na calça, na saia e tampar o decote que não tem razão de ser. Se ele insiste que transar é “prova de amor”, peça para que prove também, respeitando sua pureza.
Saber onde existe a fraqueza é o primeiro passo para montar guarda. Lembre-se que a tentação não é só sua e se eu e tantas pessoas resistimos, você também pode resistir. Não caia nesta conversa de que é “normal” e de que “todos fazem”. Mentira! Tem muita gente reagindo contra esta ditadura sexual que se impõe e não há melhor idade para lutar contra ditaduras do que na juventude. Depois me conta se as dicas ajudaram, ok?! Ah, quando o clima pegar fogo no sofá pare tudo e vá chupar laranja. Até descascar o corpo esfria!
Abuso Passivo
Era segunda e todos falavam do mesmo assunto. As atendentes do check-in, o casal da lanchonete, os homens sisudos atrás de mim, o caixa da livraria. No dia anterior Xuxa, a eterna rainha dos baixinhos, declarara no Fantástico que tinha sido abusada e o foi constantemente até os 13 anos de idade. Falou da culpa, do nojo, do medo e das feridas que de fato nunca se cicatrizam. Enquanto ouvia o burburinho no aeroporto pensei em como aquilo se esfriaria até o final da semana. É assim. Vem outro assunto, engole este e as crianças seguem abusadas e sofrendo caladas, pois temos memória curta e pouco interesse pelo sofrimento, sobretudo se ele está rodeando ou dentro de casa ou nos envergonha.
Penso que é por isto que ainda persiste este mal em tantas famílias, em tantos lares aparentemente normais. É uma doença sim, mas uma doença do descaso. De mães que não prestam atenção aos filhos, em especial às meninas. Aos pais que não notam os olhares maliciosos dos amigos, uma atenção excessiva do irmão… A maioria dos abusos aos menores acontece dentro de casa. Segundo dados oficiais, que podem ser ainda mais assombrosos dada a doença do silêncio, os abusadores frequentemente estão na própria família ou em seus agregados.
A criança carrega uma culpa que não é sua e ainda que 20 anos depois descubra isto, o peso não mais lhe sairá dos ombros. É por isto que casos assim como o de Xuxa, meu e de milhares de crianças precisam ser paradas pelos pais, sobretudo pela mãe. Sei de amigas que voltaram para casa com a roupa íntima manchada de sangue e a mãe deixou passar este grito para sempre. De outras que se calaram em depressão profunda por seus progenitores não notarem a súbita diferença no comportamento. A culpa é dos pais! Não por não protegerem, mas por não prestarem atenção. Quantos lares existem onde o próprio pai é o abusador constante e perene?
A criança não vai contar, não espere isto dela! Em situações onde há uma combinação perfeita de orientação prévia e personalidade esfuziante pode haver a denúncia pela pequena vítima, mas não é a regra, não conte com isto. Olhe, pergunte, explique, quebre o silêncio desta violência grotesca! Ainda que grande, a vítima ainda carregará uma certeza triste de que algo fez para provocar tal situação e é preciso muita conversa, com o terapeuta e com Deus, para se libertar deste silêncio. O projeto Quebrando o Silêncio da Igreja Adventista é um incentivo nesta direção, pois dentro e fora das igrejas existem pessoas sofrendo e fazendo sofrer.
Quando afirmo a responsabilidade da mãe, não me esqueço de que as mulheres são as agressoras em muitos casos, mas estatisticamente a minoria considerável em relação aos abusadores masculinos, por isto, tendo que apelar para alguém como protetor, apelo às mães, às tias, às avós. Naturalmente o instinto de proteção está nelas e de atenção também. Assim como dita a cartilha do Quebrando o Silêncio, abra a boca para perguntar, para se informar e para denunciar, se for o caso. Crianças, ainda que não contem, mostram o resultado do abuso. Alteração de comportamento, no apetite, pânico, choro contigo. Um adulto que olha com carinho verá sem grandes esforços.
Comentado que foi, a história da Xuxa passará, mas muitas outras estão sendo desenhadas com sangue neste momento. Olhe mais ao seu redor, desconfie, oriente, proteja. Nem todos conseguem se libertar da ferida, de fato, quase ninguém. Ela volta a sangrar assim que tocamos e nela tocamos a cada instante. Contudo, um olhar atento pode evitar que novas feridas sejam abertas. Hoje, contando nos dedos as minhas amigas, me dou conta de que metade delas já sofreu algum abuso e meu mundo não é diferente do seu. Se resolver perguntar, descobrirá que este veneno está a contaminar muito mais conhecidos do que você poderia supor. Quebre o silêncio, antes que ele quebre uma vida.
Por quem vale a pena mudar?
Já falei para vocês que falo muito, não é? Ainda que não avisasse, em 5 minutos você perceberia o defeito de fábrica. Já noticiei, entretanto que o volume tem diminuído, no decibéis, na quantidade e na acidez. Não o suficiente para alguns, mas um razoável alívio para os do convívio mais próximo, entretanto outro dia pediram mais.
Acho que sou do tipo que se “ama ou odeia” e falo isto sem orgulho nenhum, já que não é mesmo o tipo de coisa que se pode dizer orgulhosamente. Já fui feliz em demasia pelos que me amam e já chorei em cântaros pelos que me odeiam. Uma vez mesmo, há uns 4 anos me avisaram em solene tom de alerta que uma determinada pessoa não gostava nem um pouco de mim e que assim que ela tomasse posse como líder da instituição à qual eu prestava serviços, meus dias ali estavam contados. Entrei em pânico, chorei e fiquei magoadíssima, como se espera de uma típica sanguínea, e me perguntava: “por que esta pessoa me odeia, o que eu fiz?”.
Este líder tomou posse, me chamou para conversar – e ainda que tremendo de medo eu fui – falou de minhas qualidades e me convidou para trabalhar com ele. Assim mesmo. Deu orientações, claro, pois arestas são muitas as que tenho para aparar, no entanto se tornou um dos chefes mais querido que já tive e com quem adoro trabalhar até hoje. Daí pensei: por quem se deve mudar? Pelos que te amam ou pelos que te odeiam?
Muita gente não gosta de mim e eu até dou razão para estas pessoas, todavia me recuso a mudar por elas e por uma questão básica: ainda que eu mude, jamais vão gostar da pessoa aqui. Simples. Elas não tem obrigação de me aceitar, mas também não tenho de me adequar. Seria no mínimo injusto mudar por quem te odeia e não considerar que outro tanto gosta de ti pelos mesmos motivos que leva o primeiro grupo a fazer bonequinhos e te alfinetar. Respeito que não me suporta, de verdade, sinta-se livre, você tem mesmo muitos motivos! Mas não espere grandes mudanças na minha vida para te agradar.
Já pelos que me amam, ah, por estes acho até louvável mudar, ainda que com sacrifício. Pense nisto ao equilibrar seus procedimentos com o chefe tirano e com o marido, namorado, pais, filhos. Muitas vezes nos tornamos insuportáveis com os mais próximos, por achar que eles estarão sempre disponíveis para o perdão e terão cicatrizes como a do tal Wolverine. Não é verdade. Ao invés de mudar tudo para ser bem quista por quem não te quer, que tal aperfeiçoar o que te faz amada por aqueles que de fato sempre a amarão? Acho uma recompensa humana e feliz. Chefes que te odeiam, não te amarão pela mudança no verniz e te trocarão assim que puderem, já pais, filhos, irmãos e amigos verdadeiros estão ligados por uma corrente eterna e ainda que indissolúvel, pode ser fortalecida.
Priorize as prioridades.
O porco e o cavalo
Um fazendeiro colecionava cavalos e só faltava uma determinada raça.
Um dia ele descobriu que o seu vizinho tinha este determinado cavalo.
Assim, ele atazanou seu vizinho até conseguir comprá-lo.
Um mês depois o cavalo adoeceu, e ele chamou o veterinário:
– Bem, seu cavalo está com uma virose, é preciso tomar este medicamento
durante 3 dias, no terceiro dia eu retornarei e caso ele não esteja
melhor, será necessário sacrificá-lo.
Neste momento, o porco escutava a conversa.
No dia seguinte deram o medicamento e foram embora.
O porco se aproximou do cavalo e disse: – Força amigo! Levanta daí,
senão você será sacrificado!!!
No segundo dia, deram o medicamento e foram embora.
O porco se aproximou do cavalo e disse: – Vamos lá amigão, levanta
senão
você vai morrer! Vamos lá, eu te ajudo a levantar… Upa! Um, dois,
três.
No terceiro dia deram o medicamento e o veterinário disse:
– Infelizmente, vamos ter que sacrificá-lo amanhã, pois a virose pode
contaminar os outros cavalos.
Quando foram embora, o porco se aproximou do cavalo e disse: – Cara é
agora ou nunca, levanta logo! Coragem! Upa! Upa! Isso, devagar! Ótimo,
vamos um, dois, três, legal, legal, agora mais depressa vai…
Fantástico! Corre, corre mais! Upa! Upa! Upa!!! Você venceu campeão!!!!
Então de repente o dono chegou, viu o cavalo correndo no campo e
gritou: – Milagre!!! O cavalo melhorou. Isso merece uma festa… “Vamos
matar o porco!!!”
Ponto de reflexão:
Isso acontece com freqüência no ambiente de trabalho. Ninguém percebe
qual é o funcionário que realmente tem o mérito pelo sucesso.
“Saber viver sem ser reconhecido é uma arte.”
(Não sei o autor, recebi pela internet e achei legal)
O que mede o valor de uma pessoa?
Sou filha de uma empregada doméstica e de um caminhoneiro. Por saber de onde vinha o dinheiro que botava comida na minha mesa, sempre tive a tendência de olhar com mais complacência e certa intimidade para qualquer pessoa que faça trabalhos braçais. Acho que a empatia é por tantos anos nas “dependências dos fundos” com meus pais, é por entrar pelo “portão de baixo” e passar a infância e adolescência sem conhecer a sala principal ou o hall de entrada.
Claro que como qualquer garota da minha idade eu sonhava com brinquedos e roupas caras e meus pais tentavam me engabelar para aceitar de bom grado o brinquedo ou roupa inferiores. Às vezes funcionava, mas nem sempre. Importar-me, entretanto, por ser filha de quem era, isto nunca me importei. Na comunidade e no seio familiar onde cresci, valores como honestidade e trabalho duro eram – e ainda são – admiráveis. Meus pais são bem quistos pela família que formaram e eu fui a primeira à ir para a faculdade. Por ser mais velha de três irmãos, acabei abrindo caminho para que o ensino superior fosse uma coisa natural e não preciso falar das lágrimas e orgulho dos meus pais ao entrarem comigo na formatura.
Só que com um pouco de mais de percepção notei um mundo hostil a quem faz o trabalho pesado. Não que o ignorasse completamente, mas a idade nos faz enxergar com outras lentes a vida e isto vem me incomodando dolorosamente. Afinal, porque o presidente da companhia é mais importante que a senhora que limpa os banheiros ou a sala de reunião? Você provavelmente tem argumentos e entre estes o fato de que o teor do trabalho do executivo é mais importante e tem desdobramentos mais significativos. Mentira não é, contudo como seria o trabalho dele sem alguém para limpar a sujeira, hein?! Sempre fico pensando isto quando vejo algum engravatado a cruzar por alguém da limpeza sem cumprimentar.
Daí vem outra crise: se a limpeza do local é importante, por que quem a faz ganha tãaaao menos que os outros? Por que medimos as pessoas por suas funções na sociedade se todas são igualmente necessárias? Ou vai dizer para o meu pai que o trabalho dele de carregar as peças de carro para grandes montadoras pode parar, pois os engenheiros, executivos e outros tantos funcionários conseguem montar um carro sem o carreto? Tenho vários tios que são pedreiros e um me contou certa vez que tinha feito uma mansão incrível num condomínio de luxo na minha cidade. Ele fotografara a obra passo a passo, orgulhoso do seu trabalho duro, mas foi impedido de entrar lá novamente, para buscar uma ferramenta esquecida, pois a obra havia sido concluída e agora aquilo era reduto de ricos e não de um serviçal sujo de cimento. Puxa, era ele quem sabia onde estava cada azulejo e interruptor e “habitara” aquele lugar nos últimos 8 meses, mas jamais poderia entrar lá de novo!
Entende o que quero dizer? Com que direito ousamos não cumprimentar o zelador, o porteiro, o construtor, a faxineira, o pregador de batentes? Pense na profissão que é ignorada em seu meio. É claro que sei a diferença das consequências do trabalho de um presidente e de um zelador, mas até hoje não conseguiram me convencer que aquele é mais importante que este. Acho que nunca conseguirão, pois simplesmente não o é! Ter o seu valor em mente e os dos seus pares também é uma boa medida para não se achar superior pela função que desempenha. O nosso papel social não nos define em essência. Cada ser humano é único e cheio de valor. Um bom dia cortês, um presentinho no Natal ou aniversário podem não mudar a sociedade inteira, todavia pode deixar o seu entorno mais humano. Pense bem nisso ao ignorar um gari ou catador na rua que, a propósito, está fazendo o grande favor de carregar o lixo que você fez!
Ponto fraco ou ponto forte?
Estudei piano por 4 anos de e desisti. Tenho vergonha disto até hoje e me arrependo de sentir dores no estômago quando escuto um bom pianista tocar. Tenho uma certa inveja, confesso. Já faz 15 anos que larguei as partituras e hoje mal sei tocar aquelas marchinhas do primeiro nível, e fico pensando se de fato eu teria sido uma boa pianista. Gosto de música, sobretudo clássica e fico vidrada em concertos, contudo me deparei com o dilema: investir no ponto forte ou fortalecer o ponto fraco? Apenas com estas duas possibilidades, qual você escolheria?
Piano, música, artes e escrita precisam de dedicação inconteste e afinco nos estudos. De modo geral, o que se quer fazer bem é preciso fazer muito, continuamente. Eu gostava do piano, mas gostava mais de ler e escrever ao ponto que abandonar os livros para tocar já não era mais prazeroso. Tinha dor. Começava a entender que era preciso escolher. Não era meu ponto forte, com certeza. Eu não era como algumas das colegas da época que tocavam com destreza e facilidade. Eu precisava estudar muito e ensaiar por horas. Escrever era mais fácil.
Fique à vontade para discordar, não sou mesmo dona da razão, mas hoje penso que as pessoas perdem tempo demais nos seus pontos fracos, ao invés de caprichar nos pontos fortes e torná-los imbatíveis. Sabe aquela coisa de tentar todos os dias jogar bola para não ser a piada da turma, ao invés de assumir que seu negócio é mesmo com as panelas e os temperos? Conheço gente que se desgasta numa máquina de costura para provar a si mesmo ou aos próximos que tem talento doméstico enquanto negligencia o talento natural com os números e orçamentos.
Eu também tentei com os esportes, persisti com a lida do lar, mas é escrevendo que me realizo e é nisto que quero ser bem-sucedida. Então parei de me lamentar pelas habilidades que não desenvolvi e investi em livros sobre escrita e escritores e fiz disto meu ofício. Não quero dizer, contudo, que não deva se dedicar em coisas que naturalmente não faz bem, de modo algum! Mas entre penar no que não é natural, que tal investir no seu talento, no seu dom, naquilo que faz bem se fazer força?
É só meu ponto de vista….
Prisão ou Proteção?
Eu estava empolgada em conhecer tanta gente diferente. Era minha primeira semana de pós-graduação na PUC-PR e na área de audiovisual você já pode imaginar meus colegas de classe. Tinha de tudo. Uma pessoa em especial, entretanto, me chamou a atenção. Ela era loira, bonita, com visual meio hippie e tinha sempre comentários meio abibolados. Num dia de bate-papo descobrimos que morávamos perto e ela me ofereceu carona. Na metade do trajeto o susto: cigarros de maconha para todo lado e ela me oferecendo um que acabara de acender.
Agradeci educadamente enquanto me encolhia no banco pensando na roubada em que me metera. Ela pegara um caminho que me era desconhecido e nele havia uma blitz. Suava frio enquanto ela fechava os vidros:
- para os babacas dos policiais não sentirem o cheiro – explicou e insistiu: certeza de que não quer dar um tapa?
Tapa? Ué, ia ter briga? Muito depois fui entender a gíria, mas a conversa que seguiria era ainda mais intrigante que o cheio de maconha que já impregnava minha roupa. Ela contou que era casada havia 3 anos, o mesmo tempo que eu, na época, e que adorava o relacionamento. Eu fiquei comovida, uma maconheira que valorizava o casamento! O problema foi a filosofia de casamento da criatura que começou a ser explicado logo após a pergunta:
- você não crê nesta caretice de fidelidade, né?! – indagou e nem me deixou responder para emendar: fidelidade é uma posse burguesa e de dominação.
Hein?
Pois é, ela e o marido tinham o que consideravam um casamento moderno e “socialista”. Moravam na mesma casa, tinham planos juntos e até tinham assinado o papel burguês do cartório, mas na prática cada um transava com quem sentisse vontade. No dia anterior, inclusive, eles tinham ido juntos à um concerto, mas ela voltou sozinha pra casa, pois ele ficou encantado com a cellista e saiu com ela para um motel. Simples assim.
- só não levamos ninguém na nossa casa, pois ali é um canto nossa, saca? – explicou. Mas quando bate a vontade, cada um faz o que quer e depois volta, pois somos livres. Com você é assim também? – inquiriu achando realmente que o comportamento dela era regular.
No começo fiquei constrangida, pois parecia mesmo que eu era uma cafona antiquada num casamento monogâmico burguês e opressivo, mas ainda bem que uma pontinha de lucidez me fez atinar a tempo de mostrar para ela uma outra visão daquilo que era um prisão de segurança máxima segundo seus olhos.
- Não, comigo não é assim. Sou fiel ao meu marido, fisicamente falando, inclusive. E ele o é a mim. Presa e subjugada? Não é o caso. Sou livre para ficar com ele e escolhi esta relação que não é uma jaula, mas uma torre de segurança onde existe um amor diferente do seu, talvez. Acho que sair transando com quem der vontade não é liberdade, é prisão. Seria eu prisioneira de instintos baixos e da própria vergonha e desconfiança que sempre haveria na relação. O escolhi não por falta de melhores opções, mas por considerar que ele seria o meu par ideal e que apesar das opções que pudessem surgir no decorrer da vida, o amaria e seria fiel ao que um dia prometi diante do altar.
- e se ele a trair – insinuou.
- Bom, daí não é o meu prejuízo, é o dele. Afirmei. Ele terá traído mais do que a esposa, terá traído princípios, um lar seguro, uma relação de confiança e a si mesmo.
Ela olhou escandalizada e eu saí do carro de alma lavada. Percebi que muitas pessoas pensam diferente de mim e dos meus princípios, mais: que muitas vezes meus valores podem ser considerados ridículos ou ultrapassados, mas ainda são os meus e se eu não puder ser fiel a eles, serei fiel a que, afinal?
PS: Ela desistiu da pós duas semanas depois e não mais a vi.
surdos emocionais
Eu estava com pressa para pegar minha priminha na casa dela de manhã e depois de algumas palmas dei-me conta de que a garotinha estava num sono profundo. Enquanto pensava numa alternativa para levá-la para minha casa e continuar meu trabalho, tomando conta da pequena num favor para minha tia, um senhor foi se aproximando morosamente, tentando puxar assunto. Dei um bom dia baixinho, virando a cabeça em claro sinal de que não tinha tempo ou disposição de manter um papo. Não tinha tempo pra ele. Mas ele não percebeu. Recusou-se a aceitar minha negativa e continuou conversando, primeiro falando do tempo, depois de que a menina logo acordaria e, sem alternativa, fui lhe virando o corpo, olhando compassiva, doando alguma atenção enquanto secretamente torcia para minha prima vir logo.
Assim que percebia ter um pouco mais de atenção o senhorzinho falou que não era fácil envelhecer e que eu só saberia disto quando tivesse os 80 anos dele com doença e desprezo dos filhos. Ai! Senti que ele merecia um pouco mais de ajuste dos meus ouvidos e uma abertura estável do coração. Vá lá, não me custava ouvir um pouquinho o velhinho. Desfilou suas agruras, as dores do corpo e as piores, da alma. De como sentia o desprezo dos quatro filhos que com tanto sofrimento criou, da amargura em receber migalhas e resmungos por uma das noras que aceitou tê-lo em casa, num quartinho dos fundos, devidamente isolado. Da fome. Não de comida, mas de afeto.
Deve ter se passado uns 20 minutos. Não ousei confirmar olhando no relógio. Ele precisava mais do meu tempo do que eu. Os olhinhos molhados, as mãos trêmulas, o rosto abatido e triste parece ter descarregado um peso que as costas cansadas não podiam carregar sem lágrimas, em busca de um ouvido humano e disposto. Desconfiei que o lamento já tinha sido vertido para alguma parede ou porta-retrato velho, mas era de um olhar compreensivo e complacente que o velhinho precisava.
Minha priminha apareceu na porta, sonolenta e me chamando para entrar. O idoso olhou para ela, sorriu amável, fez mesura com o chapéu velho e com um gesto me agradeceu por tê-lo escutado. Era tudo o que ele parecia querer há algum tempo. Pouco demais para pedir e muito para alguns aceitarem dar. Eu que sempre quis ganhar o mundo, olhei para aquele ser carente que fez de mim seu mundo por alguns instantes. Ele subiu a rua com sofrimento, apoiando-se na bengala velha de madeira. Numa última olhadela acenou em despedida e gratidão e retribuí o gesto, mais grata do que ele poderia ser. Não perdi 20 minutos, não, como poderia ser tentada a pensar. Investi onde o retorno é incalculável… numa pessoa que precisava se sentir gente de novo.
Desci a rua com minha priminha segura nas mãos e o velhinho no coração. Por um momento, tão pouco e efêmero, fui o mundo de alguém e não houve melhor coisa que eu pudesse ter feito naquele dia que rendesse mais.
Hoje acordei feia
Outro dia eu acordei de mal comigo. Deve acontecer contigo também, se você for normal como eu. Ainda que não seja, se for mulher também deve ter isto de se olhar no espelho e não ter qualquer empatia com o que ali está refletido. Era daqueles dias que o cabelo quer a emancipação alegando diferenças irreconciliáveis e não há argumento ou força bruta que o faça parecer simpático. Suas dobras, que já andam um tanto quanto saidinhas, atormentam em manifestação de crescimento.
Parei, olhei e constatei: “como estou feia e gorda”. Foi terrível ouvir isto de mim, mas é ainda pior ler isto nos olhos dos outros que nem conseguem disfarçar. Onde anda a solidariedade alheia nestas horas, não? Ameacei chorar, mas pensei que as rugas podiam se precipitar piorando ainda mais o quadro. Claro que eu sabia estar (beeeemmm) acima do meu peso e num ato de compaixão pensava em quanta injustiça se juntava na minha cintura e se espalhava pela barriga, coxas e braços. Injusto, eu achava, por saber dos recentes esforços com exercícios frequentes – ainda que não tão intensos – e um upgrade de frutas, verduras e afins no meu pratinho costumeiramente recheado de massa.
Tá, como muito e não pretendo negar, mas há tempos venho investigando com médicos um aumento de peso que não se justifica há mais de um ano. Preocupe-se não, lhe pouparei dos pormenores técnicos desta resistência em perder o que não queria que me pertencesse, é só um meandro para que à par fique de minhas lamúrias naquele dia. Ali fiquei, ali me penalizei e sumariamente defini a sentença: sem cremes, perfumes, arrumação ou roupas novas até ficar “bonita” de novo, garota! Ah, e sem redução da pena ou qualquer progressão de regime.
Num relance me lancei um olhar severo ao qual em fração de segundo retribui – sim, eu mesma – com outro de pena e lamento. Daí a boa pessoa que habita em mim se solidarizou com a penalizada que também divide espaço nesta turbulenta pensão. A boazinha abraçou a coitadinha, lhe ofereceu abraço, carinho e um pouco de conversa. Explicou-lhe o quanto era legal, amada e disposta a fazer da vida um constante espetáculo de alegria e aprendizado, contou da benção de ser perfeita fisicamente, apesar da tal pressão social lhe negar este direito legítimo por conta do manequim saindo do 42.
A boa pessoa fez a condenada se lembrar de tanta gente que não tem uma perna ou um braço, encontram-se enfermas ou com qualquer outra deficiência e a trocariam de bom grado por um corpo que funcionasse bem, ainda que mais redondinho. Pobre coitada que era, a ré se ofereceu para emagrecer à marra com tantos remédios ilícitos ou insalubres à disposição e a boa alma lembrou que mais vale a saúde que a magreza. Com afagos sinceros a convenceu de que não era justa a pena, que valia o esforço para escapar desta prisão auto-imposta e a compensação com cremes para o corpo e o cabelo, coisinhas cheirosas, roupas para aquele tamanho atual e sapatos, ah, sapatos eram mesmo sempre uma boa compensação.
Quase no fim estava quando já não precisava convencer aquela frágil criatura de que injustiça eram os rótulos, os desmandos em nome da tal fôrma. Triste era se abandonar enquanto colocava valor em quem não o tinha, ainda que bonito fosse pelo verniz que se via por fora. Aquele ar impetuoso a sair dos pulmões inflando o peito que se levanta esticando o pescoço e dá uma murchadinha na barriga foi o decreto final: absolvida. Liberta estava da pena, pelo menos por aquele dia, pois a gratidão lhe escapou pelos poros exalando o perfume suave do amor próprio.
E você, qual o “defeito” que tem? Pense nele como característica e pense mais: em todos os defeitos que felizmente não tem! Daí, agradeça a Deus por tantas bênçãos ao invés de ser ingrata por uma coisa ou outra que não saiu como desejava…
Amar a si mesmo
Sou do tipo que rumina as coisas. Feito vaca, sabe que come, mastiga, faz que engole e volta com o negócio pra mastigar outra vez? Pois bem, sou assim. Não foi muito bonita esta introdução, eu sei, mas você entendeu, não entendeu? Se sim, valeu o pouco tato com a coisa do ruminar e da vaca, que no caso, em nada me favorece.
São muitas as coisas que mastigo de novo, tentando sentir o gosto, absorver o sentido, aplicar. Uma delas é este verso bíblico: “Amar ao próximo como a si mesmo é mais importante do que todos os sacrifícios e ofertas” (Marcos 12:33). Já o vi escrito em caminhão, em faixas e em bilhetinhos e nunca me caiu redondo, direito, sem contestação. Não pela primeira parte do amar ao próximo, esta eu entendi direitinho, prometo. Tudo bem que não o aplique na integralidade da coisa, mas já o absorvi. Ok, não é uma absorção tipo Madre Teresa, pois desta, infelizmente estou a anos-luz em matéria de caridade.
A coisa toda se complica com o tal do “como a si mesmo”. Bobagem, talvez você ache, mas leve em conta meus sentimentos e pondere os seus. É prudente! A ordem em que a ordem vem – com nenhum trocadilho intencional – é que chama meus pensamentos ao segundo momento. Primeiro tenho que me amar, para só então amar o tal do próximo como faço comigo. São duas ordens em uma, algo como: trate de se dar o devido valor e carinho para que tenha a capacidade de reconhecer este afeto e o transferir aos outros! É que alguns têm uma facilidade de acariciar o próximo, e genuíno contudo não o é, pois não reconhecem o sentimento vindo para si próprios, ao contrário dos narcisos, né?!
Sim, tem a turma do “eu me amo” isolada de qualquer poder de visão, mesmo de curto alcance, com quem está além um pouquinho do umbigo. Tudo errado. Amar-se é reconhecer seus pontos fracos sim, mas não os deixar maiores que os pontos fortes. É saber da celulite e gordurinha e ainda assim se achar linda pelos olhos ou cabelos. Seguir esta ordem de Cristo é se ver como algo especial que precisa ser respeitado e velado, não como um apêndice para canalhas (de todas as categorias) usarem ao vangloriar-se. Já viu como tem gente boa por aí encolhida sob os chinelos de gente ruim? É funcionário que não desabrocha, garotas que não se livram de namorados encostos e amigos que se definham.
Tudo culpa de não prestar atenção a este detalhe da orientação: “amar o próximo como a si mesmo…” Equilíbrio cabe aqui. Na justa medida em que se reconhece como alguém especial que precisa de atenção e complacência, reconhece a necessidade em quem está ao lado. Amar-se é ser mais leve e generoso, consigo e com ele, ela, eles, eu. Amar-se é reconhecer o reflexo de uma nobre criação clareando a escuridão dos defeitos, uma mão generosa moldando um barro deformado. Daí, ao tanto se amar, na justiça e justeza de não se endeusar, transferir este cuidado e carinho para quem se aproximar, mesmo longe estando.
Fora da roda dos escarnecedores
Escolher amigos é fundamental para a nossa vida. Saber com quem compartilhar valores e parte da vida é uma tarefa importantíssima que determina sucesso ou fracasso. Quando eu era pequena meus pais foram bem incisivos neste quesito. Até mais do que eu gostaria, aliás. Alguns que eu considerava divertidos ou animados eram considerados inapropriados por meus pais e eles logo davam um jeito de esfriar a amizade, proibindo brincadeiras, visitas à casa e por aí vai. Você sabe como os pais fazem, não me demorarei nestas explicações. Fato é que aprendi cedo ainda que é preciso zelo na escolha de quem nos cerca.
Na escola eu não era exatamente popular. Era conhecida, por sempre ser estudiosa, mas não fazia parte das turmas mais badaladas, nem vivia cercada de garotos bonitos e meninas festeiras. Seguiu-se assim no colegial e na faculdade. Nesta última, com até mais intensidade. Tenho bons amigos, não me julgue solitária, por favor, mas aqueles de frequentar a casa, saber dos planos, dos rumos… ah, estes eram poucos! Até porque nunca fui dada à conversas assim, destas de jogar fora. Custou muito caro o meu período na graduação, para meus pais e pra mim.
Justamente por saber do preço, aproveitava o quanto podia o tempo de internato, de vivência com os professores e, claro, ao passo que virava queridinha dos mestres, não o era entre os colegas. Você, leitor, pode imaginar e se me conheceu naquele período, pode lembrar. Dados os fatos, não era figurinha fácil nas festas, nos passeios e nas turmas descoladas. Sofri um pouco, numa vez ou noutra, mas meu foco estava além dali. Queria o melhor para a minha formação e sempre tive medo de distrações e amigos/colegas, podem ser uma perigosa distração.
Vi pessoas da família e do círculo social enveredarem por trilhos perigosos, influenciadas por amigos – se bem que este é um título nobre demais para atribuir a este tipo de pessoa. Todavia, estar ciente dos riscos me fez ter mais cautela ainda. Não queria, de modo algum, qualquer proximidade com drogas, bebidas, farras ou orgias. E faculdade tem disso também, ainda que fora dos muros. Talvez você pense que eu era triste ou isolada e não existe retrato mais incorreto para o que eu era, te asseguro.
Uma vez alguém me disse que eu não devia fazer diferença entre as pessoas e tratar tudo igual e vi que ela confundia um princípio básico: tratar todos com igualdade e respeito não significa aproximar demais a ponto de ser levada junto ao lodo. Tomei pra mim que sempre faria o máximo para mostrar o bom caminho para amigos em descaminhos, mas ao constatar resistência em mudar, não ficaria de mãos dadas pra cair junto. Egoísta, talvez você me rotule. Eu diria cuidadosa. Até demais, pode ser. Mas prefiro seguir sozinha em segurança do que me perder em grupo. Meu plano maior é o céu. Nada aqui parece bom o suficiente para eu arriscar este objetivo mais nobre. Se pessoas ao meu redor oferecem riscos, prefiro me afastar. Se pedem ajuda, estarei lá, atenta para ajudar, mas não contem comigo para rumos que me afastem de Deus, não faço questão de sentar nestas rodas.
Ai, se isto pega
Depois de ver e ler a matéria de capa da revista Época, dando ainda mais visibilidade ao hit “Ai, se eu te pego” do sortudo Michel Teló – como se ele precisasse mesmo! – pensei sobre a frase de chamada: “… traduz os valores da cultura popular brasileira.”…
De pronto me indignei com o editor a revista me perguntando se ele sabia o que era traduzir e também cultura popular brasileira. Pus-me a evocar os chamados “gênios” musicais, culturais e reforcei todo o meu preconceito contra esta massificação sexual dos versos atuais quando… plim, plim, caiu a ficha! Errada estou eu, afinal!
Errada pelos rótulos de sempre que qualificam cultura brasileira por Tom, Vinícius, Gil, Chico e Caetano. Odeio tanto quando nos reconhecem só pelo Carnaval e os sambas-enredo que ninguém mais escuta no resto do ano que joguei no mesmo caldeirão estes hits que hoje nascem, crescem e amanhã morrem. Todavia, cultura vai muito além dos aclamados pela crítica, já que metade do País também nunca escuta Chico Buarque, convenhamos!
Cultura, segundo o dicionário é – entre outras coisas – “o conjunto de manifestações artísticas, sociais, linguísticas e comportamentais de um povo ou civilização.” E isto é visto na religião, produção econômica, música, teatro ou literatura. Sendo assim, eu gostando ou não (este caso N-Ã-O, só pra ficar bem claro!) o frenesi em torno do hit é uma representação cultural legítima e válida. Se é edificante, filosoficamente relevante… bom, aí é outra discussão. E a julgar pelo sucesso da música grudenta e o desconhecimento da massa quando o assunto são os clássicos de MPB, por exemplo, o tal Teló está mais pra cultura brasileira do que Bossa Nova. Ai se eu te pego!
Não se trata de hipocrisia
Todavia, existe um outro lado a ser considerado aqui e não brigue comigo antes de pensar a respeito. Promete? É a máxima que prega serem os atos mais poderosos professores que as palavras. Ou você não conhece pais que mandam as crianças informarem que “não estão” para logo em seguida ensinar que não se pode mentir? Uma amiga minha gostava muito de refrigerante, mas não queria que seu filho pequeno tomasse a bebida, por ser demasiado insalubre. Combinou, então, com o marido e nunca mais tomaram na frente do pequeno.
Dias atrás fiquei pensando a respeito. Somos todos responsáveis pelo que cativamos, como diria o Pequeno Príncipe de Saint Exupéry, e acredito que nem todos os nossos “pecados” devam ser expostos sob pena de um estrago ainda maior e fora do nosso alcance pra conserto. Choquei você? Espero que não. Você ainda há de concordar comigo, querido leitor. É que, às vezes, um ato nosso tem um poder incrível de magoar, desencorajar, escandalizar e tudo isto irreversivelmente.
Alguns, na ânsia de se mostrarem “super sinceros” não consideram os efeitos colaterais de aparecerem comendo ou bebendo determinadas coisas na frente de pessoas que talvez não tenham bagagem pra suportar o escândalo. Ou ainda, julgam de pouca monta o falar e proceder de maneira indecente, levando outros ao mesmo erro. Sempre penso nisto ao ponderar que algumas das minhas fraquezas não devem mesmo nunca serem públicas. Não que seja um viés de falsidade do meu caráter, mais um cuidado para que o meu erro não leve outros ao erro e aí as coisas saiam do controle e eu não possa consertar o estrado.
Claro que é bem melhor não fazer nada que sirva de pedra de tropeço para os outros, pois as consequências podem ser adicionadas à sua conta, todavia, se algo impossível for, cuide para que não se espalhe. Um testemunho é muito mais poderoso do que a boa lição pregada. Pense nisto ao agir.
O poder o elogio
Eu sou do tipo que se inflama e apaga como fogo em papel, em palha. Sou eu. Num estalo consigo estar super pra cima, cheia de ideias e de boas intenções vendo como tudo é possível na vida. No segundo seguinte minha mente – deteriorada pelo pecado! – começa a se auto impor obstáculos intransponíveis para aquilo que agora há pouco eu achava inevitavelmente um sucesso. Lamento, sou assim.
Aí é que vem o bom, gente que te incentiva. Não com adulações vazias, mas com elogios sinceros que não pretendem outra coisa a não ser te impulsionar para continuar no trilho. É de se admirar que existam pessoas assim, por aí, repartindo raios de brilho para dissipar as trevas da autoestima. Você já notou algum do seu lado? E já tentou ser isto para alguém.
Policio-me para “encher o balde” das pessoas que estão perto de mim, pois sei do valor do elogio e se os chefes soubessem também, economizariam milhões em palestras motivacionais e receberiam muito mais em troca. Contudo, o ser humano tem um ranço ao elogio, já notou? É como se ao elogiar alguém estivéssemos tirando de nós mesmos. Daí o orgulho e o egoísmo bloqueiam a ação e se alguém é louvado perto de nós, até damos um jeitinho de diminuir o mérito alheio, só por vaidade ou inveja do elogio dela. Mesquinho.
Elogiar com sinceridade e precisão é um talento que precisa ser cultivado. É o dom de motivar, de reconhecer e parecer um pouco com João Batista que afirmou “importa que ele cresça e eu diminua” ao tratar de Jesus que era um desconhecido à época. Imagino que Deus sorri ao ver um filho elogiando outro, na pura intenção de encorajá-lo como fez comigo a Iatiara, ao mandar um e-mail elogiando este espaço do blog e me levando as lágrimas de alegria. Obrigada, querida! Impulsos assim me dão entusiasmo para fazer deste uma esquina de bons pensamentos, intenções e ações!
E você, leitor querido, que tal experimentar? Escolha duas pessoas admiráveis ao seu redor e as elogie sinceramente. Vai lá, é de graça e rende um monte. Depois me conta, tá?!
Muitas resoluções, poucas ações
Se tem uma coisa que aprendi bem neste ano que passou é que boa intenção não serve mesmo pra muita coisa. Digo e repito. Se quiser discordar, caríssimo leitor, fique à vontade, mas antes, leia meus argumentos.
Há exatos doze meses estávamos meu marido e eu na beira do Guaíba, em Porto Alegre. Ainda não tínhamos casa disponível e ficamos os dias da virada do ano na casa de amigos e passaríamos o réveillon num solitário momento de reflexões e planos para o futuro. O pôr-do-sol ali era bucólico e cheio de boas expectativas para 2011, este gigante desconhecido do qual agora tudo sabemos.
Moldado pelas aulas do Mestrado em Liderança, se pôs meu digníssimo a me orientar não estipular mais que 3 metas tangíveis para o ano seguinte, sob pena de entre muitas não chegar a nenhuma. Assim fiz. Você não precisa saber de todas, nem acredito que queria ficar à par de minhas picuinhas pessoais, mas uma, clássica dos clássicos, eu divido: emagrecer 12 kg.
Bem acima do meu peso normal, sonhava em dar uma guinada na rechonchuda silhueta e agora, sem tanto sacrifício, gozar do meu sucesso, estipulado e sonhado um ano antes. Não que eu fique feliz em desfilar meus fracassos, todavia, cá estou com mais 6 kg somados àqueles. Não só não emagreci como engordei metade do tanto que esperava perder.
Esperava… este é o detalhe que agora vejo com clareza. Eu esperei perder um mísero quilo por mês em 2011 e de tão pouco hercúlea subestimei a tarefa e agora amargamente admito que fui uma derrota neste quesito. Aprendi uma lição: de nada vale uma boa resolução se não for acompanhada de ação e empenho. Simples, não?! Já tinha ouvido falar, talvez você já tenha aprendido bem isto, mas eu, aqui na minha ignorância empírica só agora internalizei a lição.
Está na hora das listinhas, dos planos e sonhos que parecem tão possíveis no limiar dos novos e vindouros 365 dias e elas só servirão de constatação de miséria se, além de listar, não nos propusermos sinceramente a executar os planos. E aí, amigo leitor, está contido o desânimo superado, a alegria premiada, a vontade controlada e a disciplina exercitada. Sem isto, seus mais cálidos planos não passarão disto: planos.






