Passeando por Moscou

Passeando por Moscou


Alguns sonhos a gente vai juntando na vida, naquela caixinha de “um dia, quem sabe…”, mas se temos a benção de achar alguém que abra a caixa e queira realizar alguns destes sonhos, a vida parece mesmo um história. Não de finais felizes, mas de uma rotina feliz. Por esta e por outras, me considero uma esposa abençoada. Sempre quis conhecer a Rússia, visitar o Kremlin e conhecer o Bolshoi ao vivo e qual a minha surpresa quando meu esposo me comunica que este seria meu presente de aniversário!

Claro, viver na Europa facilita um pouco, pois além de ser beeeemm mais barato, é mais perto, existem vôos promocionais e uma série de coisas para quem, como eu, não é rica nem nada. Não de dinheiro, pois saúde e alegria, tô distribuindo! (rs) malas feitas, casacos, luvas e gorros à postos, bora para a Rússia e se quiser, pode vir junto comigo, pois vou dividir algumas coisas com você, cara leitora do blog.

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Não tem como ir a Moscou e não ir na Praça vermelha (Красная площадь em russo). Ela é o começo do passeio e um ponto bem central da cidade, onde se localizam as atrações mais famosas como Kremlin (um conglomerado político-cultural e a casa do governante russo), o Museu Histórico, o shopping Gum e a belíssima Basílica de São Basílio. Aliás, um sonho de muito tempo era uma foto lá e eu sei que poderia ter tido com Photoshop, mas não é igual, né? Risos

A igreja é única em sua arquitetura, toda colorida com abóbodas assimétricas, uma efusão de formas, texturas e cores. Fico imaginando o que é que o arquiteto tinha na cabeça ao planejar algo assim, nunca antes visto, nem tão pouco reproduzido, pois reza a lenda que o Czar Ivan, o terrível, cegou o moço para ninguém poder contratá-lo para fazer algo semelhante. Isto é o que que chamo de prezar pela exclusividade. Credo!

As fotos nem podem retratar beleza de ver isto ao vivo, um edifício que começou a ser construído em 1555. Aliás, se quiser saber, o nome dela em russo é: Собор Василия Блаженного.

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Voltamos sempre de noite, pois ela é linda sob os holofotes da praça também.

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Do outro lado da praça, que no inverno abriga um centrinho divertido com carrossel, feirinha e outras atrações, tem o famoso Museu Histórico Nacional e sim, é muito completo. Só tem um detalhe: é tudo em russo e sem nada de explicação em inglês. Como também não tinha áudio-guia disponível, o jeito foi tentar advinhar as coisas e volta ou outra perguntar para alguém, quando achávamos que a pessoa tinha cara de saber inglês. Este aliás, é outro detalhe que pode bagunçar um pouco o roteiro: quase ninguém fala inglês! Alguns vendedores ambulantes arriscavam algumas palavras – em espanhol – inclusive, mas só pra dizer preço e que era “bom”. Nos hotéis sim, nos restaurantes às vezes, mas pelo menos tem o cardápio em inglês, o que salva a pele e o estômago.

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A cidade é segura, mas nem tudo é muito lógico. O sistema de transporte é bom, com muitas linhas, mas os trens parecem aqueles que vemos nos museus, da década de 50 e devem ser mesmo. São bem antigos e não bem conservados. Por outro lado, as estações são muito bonitas e parecem verdadeiras galerias de arte. O tickets são baratos e dá pra rodar por todos os centros turísticos. Claro que é preciso uns 5 minutos para entender a lógica das estações, já que – de novo – está tudo em russo, no alfabeto cirílico, ou seja, não dá nem pra deduzir. Cinco minutos no caso de uma pessoa normal, com boa noção geográfica, no meu caso é pra mais de meia hora. É que quando eu nasci Deus pensou: esta aí vai gostar de comer, então não vou dar senso de direção que é pra ela andar bastante procurando os lugares e gastar mais caloria. Mas como estava com o maridão, só seguir o fluxo!

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As comidas típicas contem muita carne, então acabamos não arriscando muito no quesito gastronômico, embora uma coisa tenha me surpreendido: suco de laranja natural em todos os restaurantes. Isto porque em Londres não é muito comum suco espremido na hora e quando tem custa os dois olhos da cara, mais um rim e um fígado. Em Moscou tinha em todos os restaurantes que fomos.

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Ver o corpo do Lenin embalsamado também foi outra grande experiência, embora tenha sido bem rapidinho, pois os guardas não deixam a fila parar, nem tirar fotos, olhar demais, respirar demais, enfim… é passando, olhando e pensando como aquele homem pequenino mudou toda a história de seu país e influenciou o mundo com suas ideias e ações. Outro lugar para ir é o Museu da Guerra, onde você aprende um pouco mais da segunda guerra sob a ótica soviética, ainda mais para nós brasileiros que só estudamos a versão americana e europeia, que nos foi passada na escola.

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A neve deu o ar da graça em dois dos quatro dias, o que pra nós que já sairíamos de lá era pura festa e diversão, contudo, não é assim para eles que vivem de 3 a 4 meses com a paisagem branquinha e temperaturas negativas, bem negativas, no caso. Moscou não é uma cidade “linda”, como dizem que sua rival São Petersburgo é, mas tem ali grandes ícones da história mundial que vale muito a pena conhecer de perto. Se você tem problemas com o frio, é melhor ir em julho ou agosto, mas se estiver no clima de bota, casaco e toucas, aproveite o inverno onde os preços são menores e os turistas quase não dão a cara. Aliás, este foi o primeiro passeio que fizemos sem encontrar um brasileiro sequer. Por que será, né?!

Abaixo as atrações (nem tão atrativas, devo confessar) da Rua Arbat (Арба́т). Segundo me falaram era algo de comércio popular, cheio de banquinhas. Talvez pelo frio, não tinha banquinha, mas as lojas ficavam abertas até as 22h, só com aquele preço de pega turista, né?! Acabei não comprando nada!

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Na Rússia a moeda é o rublo, que tem bastante número. Tipo, me senti rica com uma nota de 5.000 (R$200) e embora a economia não esteja lá estas coisas, achei tudo bem carinho. Só deu para comprar a famosa boneca Matrioska (com 10 peças!!), o ímã da geladeira e umas toucas extras para aguentar o frio. Gravei algumas coisas lá e depois eu posto pra vocês no canal. Espero que tenham gostado das fotos e de passear um pouquinho comigo pela terra dos czares. Comenta lá embaixo o que achou e se já foi pra Rússia, do que mais gostou.

20 comments

  • Fabi muito boa sua matéria eu quero conhecer Roma e a Carolina do norte, mas achei incrível a igreja de la que “perfeição” nossa fiquei encantada, eu particularmente tenho uma “adoração” pela arquitetura das igrejas toda cidade que vamos eu bato foto tenho algumas fotos de diversas igrejas e de cidades diferente me apaixonei pela igreja muito linda mesmo…
    E com certeza Czar Ivan queria exclusividade…
    Parabéns e continua com seu trabalho, pois gosto muito de você e de estar por dentro das suas “aventuras”…
    beijao…

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    • Pois é, estas igrejas são encantadoras mesmo, eu me apaixonei por esta. É única e todos os sentidos. Beijocas e bons passeios por aí também!

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  • Amei, as fotos e os comentários, acho que Deus me criou da mesma forma. Sem noção de lugar, mas para comer…. sou ótimaaa.
    Amo seus comentários, me sinto andando por onde vc andou.
    Amo vc.

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  • Oi Fabi,
    Gosto muito de “passear” com você, pela descrição e pelas fotos, um lugar que eu gostaria sim de visitar se um dia eu for passear na Europa… Aliás, meu sonho é viajar muito, por enquanto em terras tupiniquins e planejando voos mais longínquos… Depois nos conte qual o outro sonho de viagem, pois esse já foi realizado… Meus parabéns mega atrasado, que esse novo ano seja de realizações de muitos e muitos sonhos e projetos, tudo com muitas bençãos de Deus.
    Beijos, Ivs.

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  • Adoreiiii!!!!! Também tenho muita vontade de conhecer a Rússia (e outros países da antiga cortina de ferro)!!!!!! Texto ótimo para aumentar a vontade de continuar com o pé na estrada!!!!!!!!

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  • Olá, Fabiana!
    Adorei o artigo: um texto bem gostoso de se ler e divertido. Amei as fotos, as informacoes, claro, e essas toucas lindas de morrer. Sao tao coloridas, a cara das russas; que aqui na Alemanha sao reconhecidas a km de distancia: pelas as cores das roupas vs brilho.
    Achei bem divertido a parte onde voce fala porque Deus, decidiu te criar assim..hahahaha
    e também a parte dos precos em Londres; que me fez lembrar de uma reportagem que vi aqui na Alemanha sobre o futuro de muitas pessoas em Londres: que no futuro nao muito longe, as pessoas vao ter que vender o sangue se quiserem ser aquecidas no inverno. Claro que isso nao é regra para todos. Mas, para a maioria que nao tem mais que o suficiente para sobreviver. Uma triste realidade de Londres.
    Justo Londres, essa cidade taoo linda, tao poética e taoo, taooo…gosto demais dessa cidade e como disse o poeta británico Samuel Johnson: “Nao encontrarás a ninguém, sobre tudo nenhum intelectual, que esteja desposto a abandonar Londres. Nao, senhor, quando um homem está cansado de Londres, está cansado da vida; em Londres está tudo o que a vida pode oferecer”
    Mas, regresando para Moscou, gostei muuuitoo de sua viagem !
    Um abraco desde Alemanha!

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  • Fabi ,o que eu mais gostei foi da sua falta de noção geográfica kkk ri muito, ótima matéria, me fez viajar através da leitura, parabéns.

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  • Lindo a praça vermelha, gostei demais da igreja toda colorida,, agora já sei i que quero de lembrança se alguém que conheço for a Russia,, Uma miniatura dessa igreja ,, vi uma no mercado que você visitou,,

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  • Amei a descrição da viagem, dos lugares e tudo mais! Pude “viajar” junto por alguns minutos enquanto lia. Se puder, faça mais posts como este. São bem instrutivos e encantadores.

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  • Em Moscou amo andar de metrô, como vc disse, parece uma galeria de arte. São imensos, com escadas rolantes quase quilométricas…. A arquitetura das igrejas, aquelas cúpulas douradas , são únicas!!! Uma história muito forte!
    Assisti um desfile na praça vermelha, foi inesquecível! O russo é feio, mas as russas, lindas!!!
    Gastronomia : O suco de maçã verde é saborosíssimo! Os cogumelos colhidos na floresta, tenperados com dill, divinos! O salmão branco, rico é muito bom. Ahaaaaa, a sopa de beterraba…. Deliciosa!!!… O mel branco e cremoso…. Hummmmm!!!! Amo Moscou! São Petesburgo é lindo!!!

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    • Pois é, menina, algumas destas iguarias eu também provei e amei. Queria muito a sopa de beterraba, mas vinha com carne… snif, snif… Agora quero ir para São Petersburgo, que todos dizem ser linda!

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