Playboy sem nudes – será que o povo se cansou de mulher pelada?

Playboy sem nudes – será que o povo se cansou de mulher pelada?

Já faz tempo que o povo vem falando da nossa sociedade sexualidade ao extremo. Mulher pelada vende moto, piso, sapato e até casa própria. No caso, um loft moderninho, para homens igualmente moderninhos. Falo destes assuntos nas minhas palestras e é sempre uma enxurrada de opiniões, críticas e visões infladas sobre como a objetificação da mulher precisa ser reavaliada, condenada, extinta. Claro que aí cabe a crítica às agências de publicidade, aos criadores de anúncios, filmes, ideias… pessoas que (homens ou mulheres) usam ainda de poderosa arma para atrair seus clientes. Afinal, sexo é bom desde que foi inventado, o que fez suas consequências danosas, foi o uso que fizemos dele nas diversas civilizações que vieram depois do Éden, pra quem, como eu, acredita na criação.

Mas vamos combinar que ninguém obriga uma mulher a sair de casa mostrando tudo, vulgarizando-se em fotos, vídeos ou num contato mais próximo. “Mas é o subconsciente contaminado influenciando as ações”, diriam os mais doutos a defender. Bem, há controvérsias. Pois se todas somos bombardeadas, como algumas ainda lutam pela decência, modéstia e elegância? Vivem estas numa bolha? Definitivamente não! Aliás, acho interessante que nas listas anuais das mulheres mais elegantes e bem vestidas do mundo sempre figuram modelitos dignos de serem usados em qualquer ambiente familiar. O que aturde mais ainda é saber que muitas daquelas mulheres, na sua versão real, são as mesmas que em cena se despem para atrair os consumidores de seu produto… artístico, digamos assim.

playboy2Tenho, às vezes, a impressão de que ainda sem ponderar, pensam: pra atraí-los, eu tiro, pra me fazer ouvir e respeitar, visto. Um fruto icônico desta visão onde a mulher serve pra entreter o homem com seu sexo nu é a revista Playboy, fundada em 1953 pelo americano Hugh Hefner que não sabia ao certo se a ideia ia pegar e fez uma grande aposta que lhe rendeu milhões, já que a publicação se espalhou pelo mundo e até o ano passado era publicada pela Editora Abril no Brasil. Só que parou. Agora a PBB Entertaiment assumiu a revista e anunciou que não terá mais mulheres nuas na capa. Oras, tá difícil competir com a internet oferendo mulheres nuas e animadas de graça. Além disso, colocarão a mulher para falar na revista, dialogar com os homens, como colaboradora, não mais uma boneca para ser contemplada e usada das mais diversas formas nos banheiros e quartos da vida.

Avanço? Hum, talvez nem tanto. A dificuldade inicial foi achar a estrela da capa, depois de dezenas de personalidades declinaram. Ah, é que tem mais um detalhe: não vão pagar cachê para a coelhinha da capa! Afinal chega a ser um descalabro pagar para mulher tirar a roupa ali (e estamos falando de cachês que chegam aos milhões, dependendo do interesse pela vagina alheia), já que ela faz de graça na net. Mas o discurso é bem mais simpático. Um dos donos disse que não pagarão cachê para não virar um burburinho de qual mulher vale mais, pois todas têm igual valor para os homens. Ah tá…

A primeira edição da nova Playboy brasileira está prevista para abril, com a atriz Luana Piovani na capa e escrevendo no miolo, mas levanta mil reflexões a respeito. Afinal, deixa de circular uma revista cara, com mulheres bem-pagas para se desnudar em ambientes perfeitamente montados para estimular a erotização e ereção justamente num tempo em que o povo está saturado de sexualidade rápida, barata e sem sentido. É o videozinho de minutos circulando no whatsapp, ajudando numa masturbação rotineira onde se acostumou com nudes por toda parte, inclusive vindo de mulheres que supostamente se respeitam e prezam pelo pudor, mas que imitam a famosa revistas em poses sensuais em suas redes sociais para “se vender” como mais um objeto a ser desejado e usado, só que de graça. E um salve ao Snapchat.

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