Por que você quer poder?


Uma vez um pastor nos visitou. Ele queria conversar comigo e com meu marido que também é pastor, para os que não sabem.  Fato é que nesta visita entre o muito que conversamos uma coisa que ele falou me chamou muito a atenção. Já faz uns cinco anos, mas nunca esqueci. Comentava sobre pessoas que começam certo e terminam errado. Você deve conhecer várias delas, se não for uma destas pessoas. Desculpe a indiscrição.

A ilustração era o rei Saul, o primeiro de Israel e escolhido por Deus. Você pode saber mais da história dele lendo I Samuel 15. Os relatos dão conta de um homem alto, bonito, eloquente e fiel a Deus. Justo e gozando de grande autoridade, levou o povo para mais perto do Criador, mas por estas coisas da vida – que assustadoramente acontecem com mais frequência na bonança – Saul se desviou do caminho correto e o homem que começou chamado pelo Senhor,  mudou de rumo.

Bom, no capítulo seguinte você entende que Deus teve que colocar outra pessoa no comando do seu povo e Saul se tornou abertamente um opositor do Soberano. Podemos continuar e falar da escolha improvável de Davi, mas vamos pensar ainda em Saul e como repetimos o seu mau exemplo. Sempre penso no porquê das pessoas quererem tanto o tal do poder e a conclusão a que cheguei é que adoram ser bajuladas. Simplista, sei disto, mas é de se concordar.

Dinheiro, prestígio e poder contam bastante, mas lá no íntimo, talvez tão íntimo que nem percebam ou admitam, é que querem puxa-sacos ao redor. Oras, todo poderoso também é humano: dorme, come e vai ao banheiro! E homens gostam de elogios, ainda que falsos ou interesseiros. Gostam de alguém lhes entregando tudo à mão, abrindo as portas, estendendo o copo de água, suco ou a primeira fatia do bolo.  De se sentir importantes. Perdoe-me se o ofendi, não foi a intenção.

Neste redemoinho de caprichos todos nós seres humanos estamos fadados à queda. Pois se nos bajulam no poder, não é a nós que adulam, é à posição que se ocupa e isto é transitório, lamento. Foi aí que Saul se lascou! É, devia ser mais polida, mas é isto. Ele se apegou ao poder e aos caprichos, se deslizou nas vontades realizadas, foi perdendo de vista a mão de Deus o segurando e escapou, desviou do chamado.  Quando vejo um homem mau, ainda que supostamente servindo a Deus, não penso mais que ele é ruim ou nunca foi chamado. Pondero a possibilidade de ele não ter permanecido no chamado e isto acontece com todos nós, não só com ministros.

Retornar, no entanto, é possível e a história do seguinte rei, Davi, é prova disto.  Mas aí é outra história, outro post.

4 comments

  • Concordo com você Fabiana. De forma clara e muito objetiva você definiu bem o perfil dos que buscam poder. Eu creio que todos queremos ser aceitos e respeitados, faz parte das nossas necessidades fisiológicas, mas alguns confundem esta necessidade buscando o poder apenas para satisfazer seu egoísmo. Aí nós temos Saul e outros tantos personagens Bíblicos e na vida comum que conhecemos.
    Parabéns pelo teu texto. Gostei muito e, se permitir, usarei ele em minhas pregações, citanto a fonte é claro. Abraços Fabiana, fica na paz.

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  • Fabiana, você acertou em cheio!! Gostamos de ser bajulados, SIM.
    Temos que pedir a Deus que nos livre de nosso egocentrismo e nos ensine a viver para servir.
    Mas servir de verdade, sem agendas ocultas ou segundas intenções.
    Somente assim seremos livres… e felizes!!

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  • Eu tenho uma preguiiiiiiiiiça de ler textos na internet, ainda sou adpeta a sentir o toque do papel em minhas mãos. Seu blog me fez rever meus conceitos. Já era uma fã sua (discretíssima eu sei) da pessoa, agora virei fã do seu modo de escrever.

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