Por quem vale a pena mudar?

Já falei para vocês que falo muito, não é? Ainda que não avisasse, em 5 minutos você perceberia o defeito de fábrica. Já noticiei, entretanto que o volume tem diminuído, no decibéis, na quantidade e na acidez. Não o suficiente para alguns, mas um razoável alívio para os do convívio mais próximo, entretanto outro dia pediram mais.

Acho que sou do tipo que se “ama ou odeia” e falo isto sem orgulho nenhum, já que não é mesmo o tipo de coisa que se pode dizer orgulhosamente. Já fui feliz em demasia pelos que me amam e já chorei em cântaros pelos que me odeiam. Uma vez mesmo, há uns 4 anos me avisaram em solene tom de alerta que uma determinada pessoa não gostava nem um pouco de mim e que assim que ela tomasse posse como líder da instituição à qual eu prestava serviços, meus dias ali estavam contados. Entrei em pânico, chorei e fiquei magoadíssima, como se espera de uma típica sanguínea, e me perguntava: “por que esta pessoa me odeia, o que eu fiz?”.

Este líder tomou posse, me chamou para conversar – e ainda que tremendo de medo eu fui – falou de minhas qualidades e me convidou para trabalhar com ele. Assim mesmo. Deu orientações, claro, pois arestas são muitas as que tenho para aparar, no entanto se tornou um dos chefes mais querido que já tive e com quem adoro trabalhar até hoje. Daí pensei: por quem se deve mudar? Pelos que te amam ou pelos que te odeiam?

Muita gente não gosta de mim e eu até dou razão para estas pessoas, todavia me recuso a mudar por elas e por uma questão básica: ainda que eu mude, jamais vão gostar da pessoa aqui. Simples. Elas não tem obrigação de me aceitar, mas também não tenho de me adequar. Seria no mínimo injusto mudar por quem te odeia e não considerar que outro tanto gosta de ti pelos mesmos motivos que leva o primeiro grupo a fazer bonequinhos e te alfinetar. Respeito que não me suporta, de verdade, sinta-se livre, você tem mesmo muitos motivos! Mas não espere grandes mudanças na minha vida para te agradar.

Já pelos que me amam, ah, por estes acho até louvável mudar, ainda que com sacrifício. Pense nisto ao equilibrar seus procedimentos com o chefe tirano e com o marido, namorado, pais, filhos. Muitas vezes nos tornamos insuportáveis com os mais próximos, por achar que eles estarão sempre disponíveis para o perdão e terão cicatrizes como a do tal Wolverine. Não é verdade. Ao invés de mudar tudo para ser bem quista por quem não te quer, que tal aperfeiçoar o que te faz amada por aqueles que de fato sempre a amarão? Acho uma recompensa humana e feliz. Chefes que te odeiam, não te amarão pela mudança no verniz e te trocarão assim que puderem, já pais, filhos, irmãos e amigos verdadeiros estão ligados por uma corrente eterna e ainda que indissolúvel, pode ser fortalecida.

Priorize as prioridades.

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