Que imagem você vende?

Que imagem você vende?

Meu irmão tem cabelo arrepiado. Daquele tipo espetado pra cima, como ouriço do mato. Ele acha estiloso, charmoso. Talvez seja. Pelo menos é melhor do que o penteado que ele usava antes. Problema mesmo é que nem todos acham aquele estilo de cabelo legal ou apropriado e meu irmão ficava – fica ainda – bem indignado quando percebia que as pessoas de nosso tradicional círculo social e de trabalho o julgavam pelo cabelo e precipitadamente lhe punham um título. Pra ele é só um cabelo, uma roupa…

Escutei, olhei, pensei e pensei. Meneei a cabeça como quem encaixa ideias feito livro em prateleira ou feijão no tabuleiro. Quem é que não faz um primeiro julgamento baseado no que vê? Cego talvez. Eu, que vejo mais do que devia, é que não. Você, que tem olhos pra ler estas parcas linhas também não, aposto. Pode ser que depois de um tempo, informações adicionais e convívio a opinião mude. Nem sempre pra melhor – importante ressaltar.

Contudo, não se pode criticar quem nos julga pelo que vê, pois apenas compram o que vendemos, oras. O ônus é meu. Foi o que disse ao meu irmão mais novo. Ninguém vai comprar a imagem de um jovem sério e promissor se ele vender a imagem de um descuidado cuja única preocupação é curtir a vida em todas as suas nuances.

Tá, pode haver gente que de primeira vê bem a essência, sem julgamentos, mas eu não conheço. Se você conhece esta santa e “elevada” criatura, por favor, me apresenta. Ah, eu não sou assim. O mundo não tem jeito, vê o que mostramos mais e facilmente. Natureza humana. Se você próprio é desta maneira (e não é mau por isto, entenda-me), por que odiar alguém que faz o mesmo?

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