Quem é Ellen White, afinal?

Quem é Ellen White, afinal?

Outro dia eu postei um vídeo da minha semana no Brasil e no meio do vídeo tinha um bate-papo com o Leonardo Gonçalves no aeroporto, nestas madrugadas da vida. Entre zoeiras e seriedades, falamos sobre uso da bateria na música sacra e ele mencionou Ellen White. Nos comentários do vídeo e na minha página várias pessoas se manifestaram e os grupos se dividiam em “quem é Ellen White?” “não mencionem o nome sagrado de EGW” and “porque vocês acreditam na tal da Ellen?”. Entre outros, obviamente. Um em específico me chamou a atenção e respondi, pois ele se sentiu ofendido por falarmos de Ellen White (escritora, profetiza, uma das fundadoras da Igreja Adventista, na qual tanto eu quanto o Leo congregamos) de maneira vulgar, sob seu ponto de vista.

Bom, se você não é adventista do sétimo dia e nunca ouviu este nome, peço que antes de ouvir qualquer pessoa, leia os livros dela. É uma das maiores escritoras do mundo com livros que abordam desde profecias, explicações bíblicas, saúde, educação, família e muitos outros. Li todos os seus escritos e biografias disponíveis e abalizadas sobre sua vida e obra. Claro que existem por aí muitas críticas a seu respeito e, sobretudo, muita falta de entendimento sobre seu trabalho e ministério. E antes que me perguntem: não a considero superior a Bíblia, mesmo porque ela mesma se disse uma “luz menor, que conduz à luz maior”. Este é um artigo curto, portanto, muito mais há pra saber, entretanto ratifico o convite para LER SEUS ESCRITOS, antes de formular sua opinião a respeito. Combinado? 😉

Para você que é adventista e como eu ouviu sobre Ellen Gold White desde pequeno, convido a pensar em como você fala dela. E faço isto com amor e seriedade, pois ao ter sido criada na igreja, confesso que por muito tempo eu a via como uma velha ranzinza que condenava tudo e todos. A ouvi pela boca de anciãos, pastores, ou de velhas rabugentas que citavam parágrafos, frases (e algumas que nunca existiram, aliás) fora de contexto e de entendimento. Foram as piores fontes/divulgadores possíveis, pelo menos pra mim. Até os 18 anos só tinha lido O Grande Conflito, Cartas para Jovens Namorados e Eventos Finais. Sempre com medo.

Contudo, tive o enorme privilégio de, já na faculdade, trabalhar no Centro White do Brasil, um dos 22 centros de pesquisa sobre os escritos dela ao redor do mundo. Trabalhei sob à tutela do Dr. Alberto Timm, PhD em História da Igreja e um dos maiores especialistas no assunto, hoje atuando junto ao Centro White Mundial (www.whiteestate.org). E por que digo isto? Porque foi lá, lendo todos os livros dela, os manuscritos no original, as biografias, ouvindo palestras e seminários de pesquisadores abalizados, que descobri a mulher maravilhosa que ela foi.

Foi lá também que entendi que ela passou por muitos períodos na sua caminhada com Deus e que é preciso analisar seus textos levando em conta os três grandes contextos da sua vida, os lugares onde ela viveu e o período histórico e social que a influenciou. Mais: é preciso reconhecer que entre livros hoje compilados, tem muitas cartas e conselhos para pessoas específicas, debaixo de um contexto cultural específico. Já sei que muitas pessoas vão me criticar por este parágrafo, mas antes de o fazê-lo, convido a estudar. Sim, estude e não só repita frases, conceitos e parágrafos que arraigou em sua mente ao longo da sua vida religiosa. Isto porque entre os piores divulgadores da obra desta mulher incrível, estão justamente os que se julgam zelar por ela. Lamentável.

Não que o façam por maldade, creio eu, mas por falta de conhecimento, por uma arrogância errante de quem só consegue enxergar um lado das coisas. E bem, as coisas sempre têm mais de um lado. Temos esta tendência mesmo, como seres humanos, de ver as coisas sempre com um pé no que sempre vimos e com uma inflexibilidade terrível para calçar os calçados dos outros. É por isto que mesmo um século depois de sua morte, Ellen White é tão relevante pra mim. Ela conseguia ensinar por princípios, refletir o caráter de Cristo em seus ensinamentos e mesmo quando de alguns de seus conselhos tenhamos que tirar o pó histórico, ela me convida a não refletir o pensamento alheio, mas voltar-me à Palavra, a base de tudo, a fonte de sua profícua escrita. Vou fazer uma lista dos meus livros preferidos dela, para te inspirar a ler também.

É sempre bom tomarmos o cuidado de estudar as coisas em seu contexto, nas suas variáveis e, sobretudo, respeitar a falta de conhecimento dos outros, respeitar as fases de aprendizado e vigiar a si próprio o tempo todo para não difamar, ainda que sem intenção, justamente as ideias e pessoas que acreditamos estar defendendo com a nossa postura.

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5 comments

  • Não conhecia a Ellen, nem tinha ouvido falar nela… mas quando você postou um livro dela fiquei interessada, mas também não fui pesquisar nada, esses dias olhando minha estante de livros vi um fininho com umas 110 paginas, e li o White . Ai lembrei dela e fui ver se era ela mesmo o livros chama “A Grande Esperança ” Tem como Autora ela . Não encontrei grandes informações sobre este livro específico acredito que seja uma obra com alguns textos dela… Não sei ainda não terminei de ler… Mas logo no primeiro capítulo, eu pude ver um texto maravilhoso.. e no segundo vai melhorando, e ficando melhor a cada parte. Na minha cabeça não entra, que alguém possa falar contra uma coisa, sem ter certeza ou estudar… ou pesquisar… Falta de compreensão, de entendimento, devemos sempre calçar o chinelo dos outros para ver se serve, se não apenas tiramos do pé e damos para outra pessoa que sirva, não jogamos fora ou falamos mau. Se servir usamos de bom grado. Beijos Fabi sz

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  • Oi Fabi, tudo bem?

    Sou cristã também, mas não congrego na Adventista. Tenho alguns amigos que são da IASD, além de acompanhar pelas redes sociais pessoas como vc, a Laura Morena, a Darleide Alves, o Leonardo Gonçalves, entre outros.
    Estou falando tudo isso justamente para que eu não seja má interpretada. Como vc bem disse no seu texto, as pessoas (no contexto cristão em geral – minha opinião) tendem a ser “grosseiras” quando não se é seguido um determinado pensamento…
    A minha dúvida, é referente a Ellen! Vcs (Adventistas) consideram ela como uma escritora cristã, assim como outros? Ou utiliza-se reflexões dela em algum contexto doutrinário?
    Você deve estar se perguntado o motivo das minhas indagações. É porque certa vez, eu ouvir um pregador falar sobre, e me soou muito estranho (pra não dizer grosseiro). E relendo seu texto, me lembrei desse episódio, como me identifico muito com vc e a visão que você demonstra resolvi te perguntar!

    Desde já muito obrigada, um super beijo pra você e Deus continue te abençoando!
    Tchutchuca linda! 😉

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    • Olá Fábi
      Sou evangélica da assembléia, comecei assistindo a TV novo tempo e o seu site.
      Gostei do modo da igreja adventista.
      Mas as pessoas ficam falando que é uma seita ,que seguem a Ellen White e que não é certo guarda o sábado.
      Gostaria que você me esclarecesse.
      Por favor! Aguardo uma resposta.
      Beijos

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      • Te recomendo parar de “ouvir os outros” e estudar por si mesma, pois o povo fala demais, né?! Quanto ao sábado, não é só pra adventista, viu?! É pra todos os filhos de Deus. Tem vídeo sobre isto no canal! beijocas.

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