Quero atenção, por favor!

Cenho franzido, indignação revelada pelas mãos que ora apertavam a cintura, ora balançando no ar impunham sua opinião. O dedo indicador apontado indicava a completa discordância com aquela postura fria e indiferente. Ela não se conformava com o silêncio e depois de um gritinho histérico e ineficiente, o bico protuberante anunciava choro iminente.

Suponho uns 3 anos. A garotinha não tinha mais que isto, pouco talvez para compreender que aquela figura alta, magra e bem-vestida não podia fugir de sua natureza. Era um manequim de loja. Morto. Inerte. Parecia gente, mas não era. Argumentos, ira, gestos e gritos não resolveriam a situação. Simplesmente não teria o colo que queria, o retorno, a voz. Pode parar de chorar. Ela não te ouve, não te percebe.

Às vezes sou assim também. Você não? Fazendo força na direção errada, empurrando o imutável e insistindo no impossível. Como a garotinha buscando sorriso e afago no manequim gélido. Assim como ela, tenho que desviar um pouco rumo, olhar para o lado, apoiar as mãos na cintura e desabar no choro procurando o colo de quem me queira. No caso da pequenina, a solícita mãe aguardava o momento de rendição, sorrindo e guardando os afagos. Também tenho alguém assim. Você tem?

1 comment

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *