Rede Social Real

Eu moro no interior, mas é um “interior” diferente, com uma grande universidade por perto e pessoas ao longe. Digo ao longe porque onde vivo as panelas são inevitáveis e como a maioria das famílias está há muito tempo naquele lugar, já têm suas turmas, seus amigos e não se entra numa roda facilmente. Meu marido e eu já sabíamos disto, teoricamente, na prática incomoda um pouco. Talvez pelo fato das redes sociais em proliferação terem dado uma vaga e falsa sensação de que todos são nossos amigos. Uma mentira desenhada com cara de verdade.

Talvez você que lê agora este blog não seja assim tão “viciado” em redes sociais como Facebook, Twitter ou o falecido Orkut. Falo de vício porque outro dia alguém me chamou a atenção para o curioso fato de que os habitantes destes mundos virtuais serem chamados usuários. Engraçado eu achei. E não deixa de ser um tipo de drogadição, ao levar em conta a frequência e sensação com que deixamos estas coisas todas entrarem e permanecerem na nossa vida. Já vi estudos apontando para o narcisismo que as redes desenvolvem no ser humano – se bem que alguns vão pra lá pela vocação em serem os tais narcisos –, li sobre a dependência de atenção, a impaciência que se transfere também para o mundo real e outras mazelas.

Prefiro ponderar olhando também os benefícios, afinal é legal ter contato, ainda que não seja uma amizade sólida, com alguém de outro Estado, de outros países, com culturas e opiniões diferentes da nossa. Sempre achei isto de uma riqueza inconteste. Também não se pode ignorar o canal de divulgação para novos artistas, pensadores e qualquer pessoa que não disponha da grande mídia, mas tem algo legal para passar. Você pode acrescentar as vantagens dos avós acompanharem o crescimento dos netinhos em fotos, já que a distância impede um conferir mais tangente e os pais que bancam os guardiões têm ali uma fonte de informações sobre o rebento. Todavia, numa noite fria destas de início de inverno eu me dei conta de que a vida não está ali.

Gosto de meus momentos de checar os recados, ver quem falou comigo ou de mim, mas na hora da realidade, não ajuda muito. Era sábado à noite, meu marido estava cansado de uma semana estafante e eu queria gente pra jogar conversa fora. Três amigos em potencial estavam fora da cidade e não tínhamos mesmo com quem conversar, afinal não se chega na casa de um semidesconhecido para pedir um “pouco de conversa amigável acompanhada de chá e bolachas”. Olhamos um para a cara do outro e rimos da situação. A situação no caso era: 5 amigos no Facebook (cada um), mais de 3 mil seguidores no Twitter e nós ali, sem ninguém pra conversar e sociabilizar.

Ainda bem que nos bastamos um para o outro e conseguimos nos divertir assim mesmo, sem amigos, no caminho de volta pra casa, entretanto, filosofávamos sobre as desvantagens de cultivar amigos “virtuais” quando a necessidade humana de rede social é bem mais real que isto. Claro que dá mais trabalho tecer uma rede real, com favores, tempo, disposição e todas as implicações, todavia é infindamente mais prazerosa, não acha? Depois disto, tenho passado menos tempo no FB. Nada contra, mas não dá para tomar chá com bolachas nele…

1 comment

  • Verdade pura! Gosto bastante de ter contato com meus amigos pelo facebook, mas a maioria de meus amigos presentes nem tinha FB ontem e outros ainda nao tem!
    Te admiro, Fabiana!
    Abracos!
    (perdoe a falta de acentos…)

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