Saudade da Pátria Amada

Saudade da Pátria Amada

“Saudade é nossa alma dizendo para onde ela quer voltar” Rubem Alves

Acho que foi a terceira ou quarta vez que a usei. A primeira deve ter sido quando ganhei, a segunda, há 4 anos e acho que não trouxe sorte. A terceira foi pra gravar um vídeo e ontem, usei de novo. Começou até normal, mas o sentimento de pertencer foi me tomando a cada novo sorriso que colecionei pelo caminho, as paradas no trajeto para perguntar que a horas seria o jogo ou quando acenava para outro vestido como eu do outro lado da plataforma do metrô. Era eu e meu esposo, nada discretamente vestidos com a camisa do Brasil.

Sempre fui patriota, um tanto quanto exacerbada no nacionalismo. Gosto da música do meu país, da minha literatura, do nosso jeito de ser feliz a despeito de tudo, do imediato reconhecimento dos parça pelo sotaque e coisas que ficam ainda mais evidentes quando você mora fora da sua Pátria amada, Brasil! Fico realmente aborrecida quando me deparo com estrangeiros criticando meu País e saio logo em defesa falando dos tantos privilégios de ter nascido e vivido neste cantinho – cantão, no caso – de terra banhado por mar e sol escaldante. Temos até  neve, olha só! É como a mãe de um menino levado que não aguenta um vizinho falando mal da sua cria: “só eu posso falar mal dele, não vem não!”. Eu sou assim com meu País.

Aliás, acho mesmo abjeto brasileiros que vivem em outro canto enumerarem defeitos do seu próprio país para comparar com os benefícios do país onde estão. Ah vá! Decerto só o Brasil tem corrupção. Só nós temos problemas de infraestrutura, educação e mau atendimento à saúde? Basta viajar um pouquinho, ou ler jornais e livros fora do seu umbigo para se deparar com situações iguais ou piores mundo afora, e em países ricos, viu?! Na Inglaterra, por exemplo, onde moro agora, o povo critica governo, roubalheira, fala mal dos preços, do custo do transporte e o atendimento à saúde? Por favor, sem comentários… sim, é de qualidade objetável.

França é um poço de greves e degradação, em países árabes pode-se morrer só por discordar da maioria e por aí vai. Mas não é o que você ouve, certo? Não! Porque eles mesmos, os nativos destes países, não saem por aí desprezando a própria pátria e endossando o coro “do contra”. Roupa suja se lava em casa, aprendemos todos com os avós, mas nós brasileiros temos uma maneira de expor nossas mazelas e nos desprezarmos em conjunto. Por que? Talvez seja uma autoestima vulnerável, resquício dos tempos de colônia, o que explica também nossa veneração pelo estrangeiro. É, ninguém trata tão bem os gringos como nós e nós não somos tão bem tratados assim em outros cantos, viu, amores!

Não é o caso de ficar cego aos problemas, ora esta, claro que nem preciso explicar isto pra você, certo? Antes de me criticar como alienada, é melhor considerar que conheço todos nossos Estados e até cantinhos considerados insignificantes por muitos. É o caso de valorizarmos tantas coisas de bom que temos, de olhar com mais carinho para o que é nosso e nos importarmos com nosso futuro como nação, como povo, como civilização. Se déssemos o melhor de nós aí como damos fora, as coisas teriam outras cores. Cansei de ver gente que se submete a tudo fora, trabalho sem folga em outros cantos, mas nos eu país, ah, não! Também respeitam as regras, as leis – até as que não fazem sentido – porque o “outro” é civilizado, mas no Brasil agem como bichos indomados. Daí se acham no direto de falar mal do meu País? Não, bem, aqui não! Pra mim não! Temos defeitos, mas somos hoje melhores do que já fomos. Todo mundo melhora, nós também avançamos. Tem lugares lindos no planeta, sim tem, mas não fica por menos meu solo tupiniquim com cores, alegria e sabores sem fim. Somos amigáveis, sem gosto pra confusão, amamos pai, mãe e irmão. Ajudamos os outros, cuidamos dos nossos, tudo de coração. Acho que tem mais estrangeiro sabendo destas nossas qualidades do que nós mesmos. Lá na minha escola, numa eleição para país mais friendly do mundo, só deu Brasilsão!

blog_saudadedobrasilEra isto que sentia ontem ao desfilar com minha camisa da seleção canarinho e acenar de volta para que acenou primeiro, de sorrir feliz ao ouvir um cumprimento carinhoso, uma menção à Copa, alguma pergunta sobre meu País. Respondia sorrindo e quase chorando: You must go there, is the most beautiful place in the world! Que saudade que deu, que saudade do que é meu! Sabe, eu sei que as coisas nunca serão perfeitas. Eu não espero isto, por este motivo sonho e vivo pelo Céu, mas enquanto estou na terra, Brasil é meu País e todos são meus irmãos, pois lá no céu não haverá distinção. Mas cá pra nós eu bem que acho que quando me perguntarem como era a vida no planeta terra, manchado pelo pecado acho que vai acabar escapando. “eu tive um bocado mais de sorte, eu nasci no Brasil”. E acho que vou chorar de saudade, como estou fazendo agora…

 

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