Sempre é tempo de recomeçar

Todos deveríamos recomeçar. Talvez um livro abandonado pela metade, uma tela incompleta, um relacionamento interrompido, um curso, a academia paga. Minha mãe voltou a estudar . Cá estou eu orgulhosa de seus feitos – papel invertido, possivelmente. Mulher forte, corajosa e devotada não teve chances com papel e caneta. Filho bom na sua infância pobre e nordestina dos anos 1960 era o que ajudava os pais na lavoura, nos pesados afazeres doméstico, e isto começava lá pelos 5 anos. Crescidinha, tinha mesmo era que arranjar um bom casamento e tomar o rumo irreversível da maternidade. Mamãe fez tudo conforme a cartilha. E feliz, ressalte-se.

Eis que agora, com meio século de vida, filhos criados e lombos cansados, ela resolve vencer a barreira do analfabetismo. Semi, já que orgulhosa me contou que a professora a colocou na 3ª série primária. “Fiz direitinho o ditado, conheço as letras”. Confunde-se um pouco, verdade é, mas o passo avante já foi dado. Linda,  minha mãe. Recomeço é assim, nem sempre do exato ponto que parou, às vezes um pouquinho atrás, pra tomar fôlego, contudo, ainda um avanço. A idade é obstáculo transponível, as condições financeiras também podem ser e o que reluz é um bem tratado orgulho próprio por não se curvar à inércia e desistência. Bora caminhar sempre se tem algo pra recomeçar.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *