Eu, eu mesma…

Sou tanta coisa e ninguém ao mesmo tempo que nem sei me descrever. Vibrarei o dia que for apresentada como “escritora”, mas este dia ainda não chegou e talvez demore um pouquinho… por hora me apresentam como jornalista, meu ofício do coração. Esposa do Bertotti, minha paixão. Irmã de Vagner e Aline, meus xodós mais novos e filha de Dalva e Joaquim, responsáveis por tudo. Também posso ser apresentada como amiga, louca, irreverente, bravinha, trabalhadora, sonhadora…

Quero um mundo melhor, mas não acredito que ele virá sem uma “grande intervenção”. Reciclo o lixo, tento cuidar da saúde e vivo brigando com o espelho. Adoro aprender e sou viciada em livros. Bibliotecas e livrarias são meus lugares preferidos e estou buscando o equilíbrio – que no fundo acho mesmo é que nunca vou encontrar.

Vai lendo aí meus posts que logo você descobre mais de mim ou desiste de tentar me entender de uma vez.

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Na rádio Novo Tempo (Comentário do jornalista Felipe Lemos sobre o meu livro)

 

Esta entrevista foi para o blog: Mulher Adventista, sobre o lançamento do meu livro

 

(A entrevista abaixo eu concedi para a jornalista Suellen Timm, para o Canal da Imprensa há uns três ou quatro anos. É bem elogiosa, risos)

Rainha dos 15 minutos

Suellen Timm

Criativa, proprietária de um vocabulário invejável, irônica, crítica e muito talentosa. Essas são algumas das características marcantes dessa ex-articulista do Canal da Imprensa. O talento para o jornalismo pode ser comprovado nas diversas mídias que Fabiana contribuiu após graduar-se no Unasp em 2004. Depois de formada, atuou na Rádio Novo Tempo de Florianópolis. Em seguida trabalhou como repórter e apresentadora no SBT de Santa Catarina. Atualmente exerce a função de diretora associada de comunicação de uma sede administrativa da Igreja Adventista do Sétimo Dia para a região Sul do País. Em entrevista ao Canal, a jornalista relembra alguns fatos que se escondem nos bastidores de nossa redação.

Canal da Imprensa - Fale um pouco sobre o seu período como articulista do Canal. Quanto tempo escreveu para o site?

Fabiana Bertotti - Escrevi do começo ao final da minha graduação. Logo no começo, escrevia esporadicamente, já que novata não tinha muita moral mesmo. Mas o espaço foi se abrindo, até que fiquei como articulista especial, ou coisa parecida. Isso me deu abertura para escrever sobre assuntos que eu gostava mais, tinha certa liberdade. Era um veículo que juntava o pessoal mais ligado em política e impresso e deu muito certo.

CI – Faz idéia de quantos textos já escreveu para o Canal? Desses, qual foi o que mais gostou e por quê?

Fabiana – Não tenho noção de quantos foram, mas são muitos. Fui uma das primeiras no Canal e já vi o veículo como um treinamento importante para a minha formação. Além disso, não há prazer maior para um jornalista do que ver seu texto publicado e lido por centenas de pessoas. Tenho alguns que são especiais. O “Egüinha, uma ova” foi um desses. O professor Ruben Holdorf mandou para vários jornais, sem me contar. Depois fiquei sabendo, pela tia de uma amiga, que o texto tinha sido utilizado como exemplo numa aula de Sociologia na PUC-RS, depois de ter sido publicado no jornal Zero Hora, do Rio Grande do Sul.

CI – Qual foi o maior sufoco que passou no Canal?

Fabiana – Sufoco pode ser encarado de muitas formas. Acho que todo fechamento era um sufoco. Eu tinha mania de entregar tudo faltando pouco para fechar e o editor queria me matar. Guardadas as proporções, o Canal é exatamente como um organismo de mídia aqui fora, profissional e comercial, então a cobrança era séria. Claro, ficar trancada no prédio, porque o monitor fechou tudo e nos esqueceu lá na sala, também pode entrar na lista dos sufocos.

CI – Você era uma articulista famosa pela agilidade ao escrever os textos, além de os artigos serem muito bem escritos. Durante o seu período na redação do Canal, você ajudava a escrever na última hora os textos que faltavam?

Fabiana – O “famosa” fica por sua conta, mas tinha facilidade sim em escrever rápido, o que ajudava meu amigo Fernando, editor num dos períodos do Canal, a fechar edições cujos autores (ir) responsáveis tinham comprometido. Devo confessar que gostava da adrenalina do fechamento, aquele estresse todo, a sensação de dever cumprido. Fiz muitos textos em 15 minutos e nem todos ficaram bons, devo admitir. O Fernando até dizia que eu era a “rainha dos 15 minutos”. Veja, pensar e escrever rápido é uma habilidade que nem todos podem herdar, mas escrever bem é para todos que se dedicarem. Acredito que textos soberbos, daqueles que você degusta com prazer e aflição, são para poucos abençoados, mas com esforço e dedicação, qualquer estudante pode escrever com primor. O segredo é ler, ler, treinar, treinar e treinar. Meu professor Ruben dizia que deveríamos escrever todos os dias, nem que fosse um e-mail. Ouvi isto há oito anos e nunca deixei de praticar.

CI – Como avalia o desempenho da revista durante o período em que atuou?

Fabiana – Fomos felizes. Esta, sem dúvida, é uma afirmação compartilhada com meus parceiros daquela época. Tivemos problemas e sofremos retaliações, mas crescemos e a revista foi um espelho disso. Em muitas edições superamos nossas próprias expectativas e as dos outros e viramos referência. Tanto é que outro dia me peguei pesquisando um assunto no Google e fui levada a usar como referência um texto de um amigo, contemporâneo. Isto é credibilidade.

CI – Quais foram os progressos que observou no Canal desde a época em que foi articulista até o momento?

Fabiana – Nossa, o Canal só melhora. Acho que ele nasceu para isto, constante evolução. O grupo de pessoas que fizeram o Canal de quatro anos atrás, quando eu saí, já era diferente de si mesmo, quando começou, oito anos antes. As condições de estágio, prática e tecnologias de que desfrutam os alunos hoje podem ser pilastras seguras para um trabalho mais e mais profundo, contudo, há o perigo de ser tão fácil, que não se dê o devido valor. Na minha época disputávamos uma máquina à tapa, então tudo era muito bem pensado e digerido. Hoje, com tanta facilidade, a superficialidade pode rondar o trabalho, o que desandaria o caldo.

CI – Alguns estudiosos acreditam que o melhor lugar para se fazer crítica de mídia é dentro da universidade. Qual a sua posição sobre a idéia?

Fabiana – Como falei antes, é perigoso criticar. Eu sou, e fui ainda mais, crítica. Vemos os professores experientes criticarem e lá vamos dando nossos “pitacos” aqui e acolá. Mas a vida profissional de verdade é muito mais complexa do que lemos no quadro negro. Do confortável banco da inexperiência é fácil condenar quem está exposto. Falar de um jornalista, apresentador, de um repórter ao vivo, sem sentir a pressão que vem de cima. Além do mais, universidade é para isto mesmo, avaliar, criticar, mas sem perder as estribeiras. Também considerando que quem está na chuva não ganhou guarda-chuva para a função. Então, bom senso!

CI – Por outro lado, também existem acadêmicos que são contrários a alunos escreverem textos de opinião porque acreditam que estudantes não têm ainda uma visão de mundo completa para se posicionar contra ou a favor de alguma coisa. Qual sua opinião a respeito disso?

Fabiana – São fases. No primeiro ano enxergarmos o mundo bem dualista. Como para alguns ainda existe o mundo vermelho do comunismo, para muitos as coisas ficam entre bem e mal, pronto. Com o passar do tempo, você descobre que as cores são mais variadas e que a combinação delas pode resultar em coisas que você ainda não entende. Opinar é bom e ajuda a concretizar em quem opina a sua própria visão, mas ela não pode ser estática, pois pessoas e coisas estão em constante mudança.

CI – De que forma sua participação contribuiu para a sua formação profissional? O trabalho na redação do Canal pode ser considerado profissional, apesar da natureza acadêmica?

Fabiana – De forma profunda. Digo a quem quiser ouvir que a participação no Canal e em outras atividades práticas no curso de Jornalismo do Unasp foi fundamental para a segurança na hora de conseguir emprego. Lá fora, ninguém liga muito para o seu diploma, verdade seja dita. O editor quer saber se você sabe escrever, articular, entrevistar e tudo isto num tempo hábil para não comprometer o fechamento. Praticar isto durante quatro anos, aí no Canal, me deu este know-how. Não fiquei apreensiva, nervosa ou insegura nos meus testes de emprego, simplesmente fui e fiz, do jeito que tinha aprendido. Sem falar que quando está aí, você tem os quatro anos para ser burilada e saber exatamente onde focar.

CI – Que dica daria para alunos de Jornalismo que queiram se destacar ou seguir carreira em jornalismo opinativo, especialmente crítica de mídia?

Fabiana – Primeiro ter opinião. Muitos estudantes, e digo isto por experiência e convivência, acham que falar mal dos outros, criticar o tempo todo, é ser inteligente, intelectual e outros rótulos que julgam importantes e distintivos. Mas não é assim. O espírito crítico é necessário, mas criticar tudo e todos torna a pessoa azeda e sem noção de realidade. Alguém assim se julga superior aos outros, sem necessidade de correções próprias e o fracasso o espera bem ali à frente. Avaliar as coisas tendo como parâmetro sua experiência de vida e a opinião de muitos outros mais entendidos do que você é uma chave que abre preciosas portas em direção ao sucesso nesta área.

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