Uma baiana, dois côcos

Uma baiana, dois côcos

Uma tarde quente, um coqueiro no quintal e uma escada. O pai, tradicionalmente quem me serve a delícia está fora, então a mãe se propôs a tirar com um facão em punho. Minha irmã e eu segurávamos a escada, uma de cada lado, para garantir que não vinha tombo na sequência, mas eu dava conta e a dispensei. Olho para o alto e a dona Dalva joga o primeiro no chão, o segundo veio então e uma casquinha caiu nos meus olhos.

Achei melhor olhar pra baixo dali em diante  e vou contando, um, dois, <<tóin>>. Não vi mais nada.

Versão da minha irmã:

“A mãe gritou e eu vim correndo achando que ela tinha derrubado a faca em você e te machucado e a vejo saltar da escada e te segurar. Ela gritava, perguntava e você não dizia nada, então peguei uma cadeira para te apoiar, você caiu e pensei que tinha se machucado sério enquanto a mãe chorava desesperada e te sacudia. Segurava sua cabeça que não se sustentava e procurava marcas de sangue.”

Versão da minha mãe:

“Eu segurei um côco e bati o facão, mas eram dois e não tinha visto, então se soltaram e caíram. Quando vi, você estava se apoiando na escada e revirando os olhos. Fiquei desesperada e pensei, matei minha filha! Lembrei que o carro não estava em casa, pensei em quem te levaria para o hospital, se tinha sido traumatismo craniano, que o Rodrigo ia me culpar, que seu pai me xingaria, que perderia minha primogênita, que não viveria sem você.” Tudo isto, claro em 2 segundos.

Minha versão:

“Acordei e, com a cabeça dolorida, vi minha mãe e minha irmã desesperadas falando de raio-X e tomografia, me dando água gelada pra beber. Falo que estou bem, pergunto o que aconteceu direito e ouço os dois relatos acima e dona Dalva insistindo que preciso ir ao hospital. Olho pra elas, já rindo do desespero, claro, e peço para se acalmaram, pois era muita falta de glamour viver viajando de avião, cobrir matéria em morro carioca, conflito entre manifestantes e policiais, invasão de morro e apreensão de bandidos e morrer assim, com coco na cabeça, né?!”

Se bem que sou baiana, então…

 

Eu com sequelas, minha mãe desesperada e os côcos

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